RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - A edição 125 da RHBN chega às bancas com um tema ao mesmo tempo clássico e desconhecido: as diversas tradições políticas da África.

Embora celebremos nossa ancestralidade africana cotidianamente, quase sempre ignoramos aspectos centrais do presente e do passado do outro lado do Atlântico. Continente no qual nossa espécie surgiu há cerca de duzentos mil anos e lugar de experiências e realidades políticas que se desenvolveram por muitos séculos, ali também encontramos as raízes do Brasil.

Do lado de cá, nossa experiência histórica ainda muitíssimo superficial no tempo – pouco mais de cinco séculos se elegermos como início a chegada dos portugueses – está profundamente ligada ao que foi produzido na outra margem. Ainda assim, apenas em 2003 incluímos no currículo escolar o ensino da História da África e da cultura afro-brasileira.

No dossiê de capa desta edição, uma pequena mostra da profundidade e da variedade das experiências políticas que dividiam espaço no continente africano desde séculos ou milênios antes de portugueses estabelecerem o comércio transatlântico de gente, responsável por trazer à força, apenas para o Brasil, cerca de cinco milhões de pessoas de diversas origens socioculturais – oriundas de caldos culturais tão diversos quanto aqueles que produziram os refinados artefatos do Benin no século XII, ou dominaram técnicas de metalurgia que estavam estabelecidas na região centro-ocidental no século XIV, ou estabeleceram poder militar e estrutura fiscal em vastas regiões da África central no século XVII.

O exemplo da Etiópia é especialmente notável, tendo merecido dois artigos nesta edição: verdadeiro berço da humanidade, seu império milenar se impôs contra diversas tentativas de subjugação, tendo atraído a cobiça europeia ainda na Idade Média, sofrendo com o ímpeto colonialista nos séculos seguintes e ainda se levantado contra o expansionismo fascista (e vencendo) no século XX. Se as maravilhas do Antigo Egito – matéria do artigo assinado pelo egiptólogo Julio Gralha – ainda ocupam merecido lugar no imaginário ocidental sobre as grandes sociedades antigas, há ainda muitas outras Áfricas a serem observadas pelo conjunto da humanidade.

Outro destaque nesta edição é o texto assinado por Alessandra Gasparotto, da Universidade Federal de Pelotas. Resultado de anos de pesquisa, seu trabalho recupera uma série de depoimentos veiculados pela imprensa brasileira durante o período mais sombrio da ditadura militar. Ex-militantes de esquerda, supostamente arrependidos, vieram a público convencer os jovens de que a luta contra o regime militar era um equívoco. Vários veículos importantes de comunicação, ainda ativos, abriram espaço para pessoas, inclusive vítimas de tortura, levarem mensagens de “arrependimento”.

Outro destaque é o Relatório internacional ressalta tragédia histórica que o Brasil omite: a permanência do extermínio indígena.

Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil é o país onde mais ocorrem assassinatos por conflitos de terras e ambientais. Foram 50 mortes em 2015, aumento de 59% em relação ao ano anterior. Os dados são da organização internacional Global Witness e foram divulgados em junho. Entre os diversos tipos de ativistas e ambientalistas vitimados no mundo, cerca de 40% são indígenas. E o órgão reconhece que a estatística está aquém dos números reais, uma vez que atos de violência contra essas populações costumam ser subnotificados.

Merece ainda destaque a entrevista do mês, com a urbanista Raquel Rolnik, que integrou o Conselho de Direitos Humanos na ONU. Entre outras afirmações, a especialista dispara críticas ao modelo econômico que tem presidido as intervenções urbanas do Brasil e no mundo nas últimas décadas, sobrando observações tanto quanto ao privilégio às torres corporativas quanto às políticas de moradia dos últimos governos brasileiros. Wanessa Regina Paiva da Silva, autora de dissertação desenvolvida na UFPA, também aborda um contexto ditatorial: os intelectuais brasileiros perseguidos durante a ditadura varguista, principalmente na década de 1940. Em um contexto conturbado, escritores se dividiam entre apoiadores e críticos do governo Getúlio Vargas.
 
A revista também trás um polêmico assunto: O cenário religioso no Brasil se divide em antes e depois da Igreja Universal do  Reino de Deus.

Fundada em 9 de julho de 1977, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) seria um divisor de águas no cenário nacional das crenças. Antes de fundar sua própria igreja, Edir Macedo foi católico, participou da umbanda e do candomblé e peregrinou por igrejas evangélicas. O início de sua trajetória pelos caminhos do pentecostalismo se deu em 1963: aos 18 anos, ele se convertia à Igreja Pentecostal Nova Vida, à qual chegou por meio de sua irmã, que testemunhava ter sido curada de uma bronquite asmática naquela denominação religiosa. Macedo tinha 29 anos quando deixou a Nova Vida para iniciar seu próprio movimento. Trabalhava como agente da Casa de Loterias do Rio de Janeiro (Loterj), onde demonstrou vocação e afinidade com números, recursos financeiros e empreendedorismo.

Publicada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional – SABIN – a Revista de História da Biblioteca Nacional é vendida nas bancas de todo o país. A revista conta com o patrocínio da Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora da cultura nacional.

Fonte: divulgação por e-mail

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