RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Em mais um episódio da série “200 da Independência”, programada para o dia 09 de setembro, às 17 horas, Leslie Bethell e Luciana Martins tratarão sobre como o Brasil foi percebido enquanto país independente no cenário global e como foi a visão dos viajantes estrangeiros sobre o fenômeno

Fator determinante para as relações internacionais foi o modo como o império britânico concebeu o processo de independência do Brasil, tendo sido importante até mesmo para o acordo de 1825 com Portugal. Cabe ainda observar a maneira com que os países latino-americanos viram a Independência do Brasil, dada sua condição sui generis no continente: mantendo a tradição monárquica portuguesa ao invés de promover o republicanismo como forma de governo.

Aspecto igualmente marcante nessa visão “de fora” sobre a independência do Brasil refere-se aos viajantes europeus que vieram ao Brasil, no período da transição colônia-império, atraídos sobretudo pela natureza tropical. Artistas viajantes e naturalistas oriundos da França, Alemanha, Áustria e do Reino Unido, dentre outros, atravessaram o oceano Atlântico e adentraram em terras brasileiras em busca de plantas, animais, minerais e informações sobre os indígenas que ocupavam o interior do país. Muitos deles vieram inspirados por Alexander von Humboldt (1769-1859), naturalista prussiano que, entre 1799-1804, percorreu a América espanhola em companhia do médico e botânico francês Aimé Bonpland (1773-1858).

Apesar de ter sido proibido de entrar no Brasil pela coroa portuguesa em 1800, Humboldt foi o grande estímulo para a vinda de jovens artistas e naturalistas para o país. Depois da abertura dos portos, decretada pelo Príncipe Regente Dom João, em 1808, e principalmente após o final das Guerras Napoleônicas em 1815, o Brasil se tornou um laboratório a céu aberto para os viajantes europeus. Nesse período, o surgimento de uma iconografia da 'floresta virgem' foi acompanhado pela proliferação de vistas da cidade do Rio de Janeiro, cujo porto era escala quase que obrigatória para viagens além-mar, em que a navegação à vela era o único meio de transporte.

Mas se podemos falar da visão dos viajantes europeus em geral, observa-se, nas primeiras décadas do século XIX, uma crescente tensão entre o cosmopolitismo científico propalado pelos ideais iluministas e os nacionalismos emergentes. Além disso, o olhar europeu adquiriu diferentes formas, dependendo do contexto sociocultural que o fermentou.

Em sua exposição, Luciana Martins irá examinar a natureza do olhar britânico sobre a nação em formação, observando a articulação particular entre exploração, ciência e arte que ocorreu no Reino Unido nesse período. Ao passo que Leslie Bethell atentará para a dinâmica mais política de articulação das nações com relação ao Brasil independente.

A Fundação Biblioteca Nacional convida para um episódio da série “200 da Independência”
Quinta-feira, 9 de setembro de 2021, às 17h.
De fora para dentro: a visão global sobre o Brasil independente
Por Leslie Bethell (Historiador) e Luciana Martins (Birkbeck, University of London)
Leslie Bethell, historiador inglês radicado no Brasil, membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências e Conselheiro Internacional do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). Foi diretor do Centre for Brazilian Studies da Universidade de Oxford e do Centro de Estudos Latino-Americanos, da Universidade de Londres. Dentre os marcantes trabalhos acadêmicos que levam o seu nome destaca-se a ampla coleção da Cambridge History of Latin America, com 12 volumes publicados desde 1984, e diversas publicações derivadas. Foi professor visitante do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ, hoje IESP-UERJ), em 1979, e fez parte de conselhos editoriais de várias das principais revistas ligadas à historiografia brasileira, incluindo o Journal of Latin American Studies, Americas: Revista de História e Cultura da América Latina, Estudos Históricos (CPDOC, Rio de Janeiro), e a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Em 2010 foi eleito um dos vinte membros estrangeiros da Academia Brasileira de Letras e galardoado com a Ordem Nacional do Mérito Científico.

Luciana Martins é arquiteta graduada pela FAU/UFRJ, mestre e doutora em geografia pelo PPGG/UFRJ. Atualmente é professora de Culturas Visuais Latino-americanas no Birkbeck, University of London, onde é co-Diretora do Centre for Iberian and Latin American Visual Studies (CILAVS). Pesquisadora Visitante no Royal Botanic Gardens em Kew, desde 2015 desenvolve em parceria com Kew um programa de pesquisa internacional e interdisciplinar sobre as coleções do botânico inglês Richard Spruce (1817-1893) em colaboração com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Instituto Socioambiental (ISA) e outras instituições no Brasil, no Reino Unido e na Alemanha. Vem trabalhando também num livro sobre o arquivo visual das viagens de expedição científicas da metade do século XIX até a metade do XX, com o apoio do Leverhulme Trust. Seus livros incluem O Rio de Janeiro dos Viajantes: O Olhar Britânico (2001), Tropical Visions in an Age of Empire (organizado com Felix Driver, 2005) e Photography and Documentary Film in the Making of Modern Brazil (2013).

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Fonte: FBN

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