DISTRITO FEDERAL, Brasília - Artista e liderança indígena fala sobre a mostra "Essa é a grande volta do manto tupinambá", em cartaz na Funarte Brasília até o dia 17


No material em vídeo, Glicéria fala sobre o caminho de pesquisa e confecção do manto tupinambá (Reprodução de vídeo)

A Fundação Nacional de Artes - Funarte disponibiliza em seu canal no YouTube um vídeo com depoimento de Glicéria Tupinambá, artista e liderança indígena da aldeia tupinambá da Serra do Padeiro (BA). Glicéria é um dos artistas e curadores da mostra Kwá yapé turusú yuriri assojaba tupinambá | Essa é a grande volta do manto tupinambá, em cartaz na Galeria Fayga Ostrower, na Funarte Brasília, até o dia 17 de outubro. O manto que se tornou o eixo central da exposição foi confeccionado por Glicéria. O projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte Artes Visuais 2020/2021.

No material em vídeo, com duração de quase 25 minutos, legenda e interpretação em Libras, Glicéria fala um pouco sobre a própria trajetória de vida e sobre todo o caminho de pesquisa e confecção do manto tupinambá, além de abordar a questão das populações indígenas no país.
Confira o depoimento, na íntegra:

"O manto tupinambá é uma indumentária sagrada do povo. Então, ele é uma personalidade, ele tem força, ele é um presente do céu para a Terra e é portado pelos pajés e pelas majés. Ele passa por essa autorização dos encantados para seu uso. Quem for usar, os encantados têm que autorizar. É um instrumento, uma roupa sagrada", conta ela em trecho do vídeo.

Na conversa, Glicéria resgata a contribuição de Nivalda Amaral de Jesus, que faleceu em 2018, com 86 anos. Dona Nivalda ficou conhecida por diversas iniciativas de ajuda comunitária e, também, pelo resgate do manto tupinambá. "Dona Nivalda, em 2000, vai a São Paulo e vê o manto tupinambá, que veio da Dinamarca para exposição, e aí volta para a aldeia com esse espírito e faz esse levante do povo tupinambá", comenta Glicéria.

Em 2006, Glicéria teve a ideia de fazer seu primeiro manto. "A gente foi pesquisando na comunidade, vendo com o meu pai como era antes, como é que fazia as costuras, que é do cordão e a linha de tucum, a agulha. Fiquei pesquisando com ele, junto dos mais velhos, e aí a gente fez a primeira malha do manto", conta a artista. Outra contribuição partiu da antropóloga e professora Patrícia Navarro que, em um curso de antropologia histórica, apresentou a imagem de um manto, na qual Glicéria conseguiu ver a malha da peça e confirmar que estava no caminho certo. "Então, aí foi feito o primeiro manto."

Sobre a mostra "Essa é a grande volta do manto tupinambá"
A exposição Kwá yapé turusú yuriri assojaba tupinambá | Essa é a grande volta do manto tupinambá está em cartaz na Funarte Brasília desde setembro. Ela conta com obras dos artistas Edimilson de Almeida Pereira, Fernanda Liberti, Glicéria Tupinambá, Gustavo Caboco, Livia Melzi, Rogério Sganzerla e Sophia Pinheiro. A curadoria é assinada por Augustin de Tugny, Glicéria Tupinambá, Juliana Caffé e Juliana Gontijo.

O trabalho integra o projeto Os artistas viajantes europeus e o caso dos mantos tupinambás nas cidades do Rio de Janeiro e Porto Seguro. De acordo com os realizadores, a história dos mantos tupinambás ajuda a refletir sobre as relações dessa população, o processo de dominação colonial e a resistência. Além das obras que compõem a exposição — como fotografias, poemas, desenhos e mantos confeccionados por Glicéria Tupinambá —, a mostra traz um catálogo de imagens e textos, que acompanha a história do objeto sagrado. O nheengatu, língua derivada do tupi antigo, foi escolhido como idioma principal da exposição.

Objetos sagrados para o povo Tupinambá, os mantos foram levados pelos europeus, durante o período colonial no Brasil, para integrarem coleções reais. Estudos comprovam a existência de onze desses itens cerimoniais, produzidos entre os séculos XVI e XVII, conservados em museus etnográficos europeus.

Em 28 de outubro, a mostra será inaugurada na Casa da Lenha, em Porto Seguro, na Bahia, onde fica até o dia 27 de novembro.


Conteúdo da mostra no vídeo (reprodução)

Depoimento de Glicéria Tupinambá
Artista e liderança indígena

Disponível no canal da Funarte no YouTube

Exposição
Kwá yapé turusú yuriri assojaba tupinambá
Essa é a grande volta do manto tupinambá
Entrada gratuita
Com obras dos artistas Edimilson de Almeida Pereira, Fernanda Liberti, Glicéria Tupinambá, Gustavo Caboco, Livia Melzi, Rogério Sganzerla e Sophia Pinheiro.
Curadores: Augustin de Tugny, Célia Tupinambá, Juliana Caffé e Juliana Gontijo.
Realização
Ministério do Turismo | Secretaria Especial da Cultura | Fundação Nacional de Artes – Funarte | Governo Federal

Projeto contemplado com o Prêmio Funarte Artes Visuais 2020/2021
Brasília
Galeria Fayga Ostrower - Funarte Brasília
Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural, Brasília (DF) – Entre a Torre de TV e o Centro de Convenções
Visitação: de 17 de setembro a 17 de outubro de 2021, de quarta-feira a domingo, das 11h às 19h
Orientações para a visitação: A entrada do público na Galeria Fayga Ostrower será limitada a 50 pessoas. Caso o limite de visitantes seja atingido, a entrada será permitida por saída de visitante. É obrigatório o uso de máscara e o cumprimento de distanciamento social de 1,5m. São disponibilizados álcool em gel e tapete sanitizante.

Bahia
Casa da Lenha
Praça Visconde de Porto Seguro, Centro, Porto Seguro (BA)
Visitação: de 29 de outubro a 27 de novembro de 2021, de segunda à sexta-feira, das 8h às 14h

Fonte: Funarte

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