BAHIA, Salvador - Um documentário de 36 minutos e um livro escrito pelas mãos de 21 técnicos e intelectuais da área de Patrimônio Cultural mapearam as políticas públicas de preservação de patrimônio de candomblé na Bahia e disponibilizam essas informações em público neste mês

Os dois produtos, batizados como 'Ìtọjú', verbete yorubá que significa "cuidar, proteger", foram lançados nesta sexta-feira, 15, em plataforma virtual especial da iniciativa e já podem ser acessados sem custo. O documentário e o livro analisam a temática a partir da realidade dos terreiros Ilê Babá Olukotum (Terreiro do Tuntun) e Ilê Omo Agboula, ambos de culto aos Egunguns e localizados na Ilha de Itaparica, e Ilê Axé Capivari (Terreiro da Cajá, em São Félix) e Ilê Axé Lajuomim, em Salvador.

Os quatro templos são registrados provisoriamente como Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural), órgão que financiou o projeto por meio de Edital Público da Lei Aldir Blanc, através da Secretaria de Cultura da Bahia e da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Justamente dessa perspectiva – a do Património Imaterial – é que partem as análises produzidas por especialistas no assunto para o livro e as reflexões propostas pelos entrevistados no documentário, de forma a colocar sob lupa de especialistas os mecanismos que atualmente são adotados para preservar o patrimônio de candomblé no estado da Bahia. "É uma reflexão profunda acerca dessas políticas públicas, a partir da visão de quem estuda, de que executa e de quem é afetado", explica o jornalista, ativista dos direitos humanos e coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Yuri Silva, que coordenou a produção dos dois produtos por oito meses e é um dos organizadores e autores do livro.

O documentário, um curta-metragem, e o livro de 108 páginas foram executados pelo CEN, instituição da luta antirracista e de formulação de políticas públicas que venceu o edital do IPAC para a produção do projeto Ìtọjú. Ambos podem ser acessados gratuitamente neste link: https://sites.google.com/view/projeto-itoju-ra/livro-e-documentário. Os 1.000 exemplares impressos, que foram custeados com o dinheiro público, serão distribuídos para os terreiros envolvidos, para o IPAC e para instituições que estudam o assunto e promovem a difusão das discussões sobre patrimônio, candomblé e cultura.

Além disso, uma nova remessa de impressões já está sendo planejada para o circuito comercial dw literatura, por meio da renomada editora brasileira Contracorrente, selo responsável pela edição do livro. A publicação teve produção da empresa Zumbi Comunicação e Produção SA e coordenação técnica do Laboratório de Pesquisa MILONGA, da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Também coube ao Laboratório de Pesquisas da UFBA, um dos principais do país dedicado a estudar o assunto, a gestão de cursos sobre Patrimônio Cultural, que foram oferecidos pelo projeto para líderes religiosos e membros das comunidades contempladas, além da entrega dos Planos de Salvaguarda (espécie de planejamento a longo prazo da preservação do patrimônio) de cada uma das quatro comunidades religiosas.

Documentos de grande relevância para as políticas de preservação do patrimônio no Brasil, os Planos de Salvaguarda são a sistematização das demandas daquele patrimônio e o planejamento de ações para sua manutenção, explica o coordenador executivo do projeto Ìtọjú, o historiador Marcos Rezende, mestre em Gestão e Desenvolvimento Social pela Escola de Administração da UFBA e pesquisador do tema.

"É por meio desses instrumentos que o poder público pode planejar ações para garantir que o patrimônio de terreiro de candomblé permaneça vivo, de pé, tenha investimentos e as demandas da comunidade religiosa atendida", afirma Rezende, ensinando, ainda, que os documentos são parte importante do livro lançado, ocupando um capítulo inteiro dedicado a apresentá-los e percorrendo toda a publicação.

Além de Marcos Rezende e Yuri Silva, a publicação é organizada pelo professor e vice-diretor da Escola de Administração da UFBA, André Luis Nascimento dos Santos, e pela historiadora e mestra em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Desireé Tozi. Além dos organizadores, outros 15 autores e autoras também escrevem na obra, assim como o diretor do IPAC, João Carlos Oliveira, e a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi), Fabya Reis.

As fotografias do livro são de Jonas Santos, a concepção gráfica é de André Luzolo, enquanto a produção do documentário coube a Jonaire Mendonça (coordenação de produção) e Yuri Silva (coordenação geral), ao cineasta Harrison Araújo (direção e coordenação de equipe), André Heleno (direção de fotografia) e André Sampaio (técnico de som).

Serviço
Documentário e livro Ìtojú
Disponível em: https://sites.google.com/view/projeto-itoju-ra/livro-e-documentário
Gratuito

Fonte: SecultBA

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