DISTRITO FEDERAL, Brasília - Localizado na Antiga Chácara Paraíso das Campinas Velhas, o bem faz parte da história de formação da região


A arquitetura das edificações apresenta, até hoje, as características originais da época em que foram construídas. (Foto: Eneida Ferraz)

Abrigo da história de formação da cidade de Campinas (SP), a Casa Grande e Tulha, da Antiga Chácara Paraíso das Campinas Velhas, recebeu o título definitivo de Patrimônio Cultural Brasileiro.

O aviso foi publicado no Diário Oficial da União, no dia 08 de outubro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo.

O bem está inscrito no Livro de Tombo Histórico desde 2015, por aprovação do Conselho Consultivo do Iphan, que considerou a importância do local para a compreensão da história da região. O processo de tombamento foi aberto no ano 2000, após pedido do então proprietário Antonio da Costa Santos.

Com o tombamento em nível federal, quaisquer intervenções na Casa Grande e Tulha, bem como em seu entorno, passam a exigir manifestação prévia do Iphan.

“O Iphan reconhece a Casa Grande e Tulha como Patrimônio Cultural do país como forma de preservar e valorizar esse importante símbolo da identidade e memória do povo paulista e brasileiro”, destaca a presidente do Iphan, Larissa Peixoto.

Tombamento
A Casa Grande e Tulha também é tombada em níveis municipal e estadual. É a segunda edificação protegida pelo Iphan na cidade de Campinas, que também abriga o Palácio dos Azulejos, tombado desde 1967.

O tombamento é um instrumento para reconhecer e proteger o Patrimônio Cultural, de modo a preservá-lo para as próximas gerações. São contemplados pelo tombamento os bens móveis e imóveis existentes no país e que tenham valor histórico, arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.

Depois de tombados, os bens passam a ser submetidos à fiscalização do Iphan, que verifica as condições de conservação. As reformas, restaurações e outras intervenções nesses bens também precisam ser previamente autorizadas pela autarquia. A responsabilidade pela conservação, uso e gestão do bem continua a ser do proprietário.

Sobre a Casa Grande e Tulha
O local compõe a trajetória de formação da cidade de Campinas (1774) e seus diversos ciclos econômicos. Representa a cultura material de construção da economia açucareira e do café, entre os séculos XVIII e XIX, bases para a consolidação do projeto industrial paulista.

A Antiga Chácara das Campinas Velhas, que depois passou a se chamar Chácara Paraíso, com suas edificações, é parte de uma antiga propriedade rural, com origem numa das duas primeiras sesmarias concedidas pelo então governador da capitania de São Paulo, Conde de Sarzedas, em 1732.

Na época, o lugar foi destinado à construção de ranchos, que deveriam servir de apoio para os viajantes que se dirigissem à região das “Minas dos Goyazes”. Trata-se do primeiro grande eixo de penetração que levou à ocupação do Brasil Central, a partir do século XVIII.

Em seu parecer sobre o processo de tombamento, o conselheiro relator Nestor Goulart Reis destacou o excepcional interesse histórico do bem cultural. “Com sua história bem documentada, em uma das regiões mais importantes do país, oferece elementos para compreensão de todas as etapas de sua formação”, pontuou.

O lugar também foi palco para o desenvolvimento de trabalhos importantes dos pioneiros da engenharia industrial e do urbanismo moderno no Brasil. A descrição cartográfica da fazenda foi feita por Antonio Francisco de Paula Souza, fundador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, no ano de 1880. O documento é fundamental para o Plano de Abastecimento de Água e Saneamento Básico de Campinas.

Na Casa Grande e Tulha também foram feitos estudos e ensaios preliminares de Anhaia Mello, fundador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Posteriormente, também foram realizados estudos do engenheiro urbanista Prestes Maia, que resultou no Plano de melhoramentos Urbanos de Campinas (1934-938) de remodelação do centro e ampliação da cidade.

A arquitetura das edificações apresenta, até hoje, as características originais da época, com paredes em taipa de pilão. A importância da localidade e do monumento arquitetônico fez com que o local fosse considerado um sítio arqueológico totalmente preservado.

Fonte: Iphan

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