MINAS GERAIS, Belo Horizonte - Precursor da produção cultural em Minas, ele esteve à frente de diversas iniciativas e grupos artísticos da UFMG


Júlio Varella e o boneco feito para ele pelo grupo Giramundo (Foca Lisboa | UFMG)

Morreu no último sábado, 20 de novembro, aos 88 anos, o produtor cultural Júlio Varella, que atuou na coordenação do Festival de Inverno da UFMG por 27 anos. Ele foi sepultado neste domingo, em Belo Horizonte.

Impedido de se locomover há cerca de um ano por causa de uma fratura de fêmur, Júlio passou períodos no hospital devido a duas pneumonias. As causas diretas da morte foram um ataque cardíaco e um AVC.

Varella cuidou da primeira edição do Festival, em 1967, em Ouro Preto, e seguiu até 1993, quando se aposentou. Antes, trabalhou com teatro e foi produtor do Ars Nova – Coral da UFMG. Em vários momentos, precisou se dividir entre funções diversas, dentro e fora da Universidade, como a gestão do Teatro Universitário (TU-UFMG) e a produção da Orquestra Sinfônica da instituição.

“Julinho foi figura emblemática do Festival de Inverno e muito querido por todos. Os moradores de Ouro Preto sabiam que o Festival ia começar quando o viam atravessar a Praça Tiradentes com sua pasta, e o camburão do Dops estacionava nas imediações”, conta Fabrício Fernandino, professor da Escola de Belas Artes e coordenador de muitas edições do evento. Quando menciona o carro do Dops, Fabrício se refere à repressão policial que marcou os primeiros anos do festival, durante a ditadura.

Fabrício lembra de Júlio Varella como uma pessoa "em estado permanente de criação, cheio de alegria". “Ele celebrava a vida todo o tempo, no trabalho e na vida pessoal.”

Após a aposentadoria, Julio Varella continuou colaborando com a Universidade, por exemplo, fazendo ele próprio convites a artistas para diversos eventos culturais. “Ele trouxe músicos importantes, alguns deles amigos seus que viviam no exterior. Manteve o mesmo afeto pela UFMG, aqui era como a casa dele”, recorda o produtor cultural Sérgio Diniz, que é vinculado à Diretoria de Ação Cultural. “Era um doce de pessoa, um bon vivant, e foi o pai dos produtores de Minas, abriu trilhas para todos nós.”

A trajetória do produtor cultural é contada no livro Júlio Varella – 50 anos fazendo arte, de José Carlos Aragão, publicado em 2009 pela editora O Lutador. Varella dirigiu por muitos anos o Teatro Marília, em Belo Horizonte, e criou o extinto Teatro Experimental, entre muitas outras atividades. “Ele não parava quieto”, testemunha a viúva, Celme Varella, que lembra outras facetas de Júlio, como a defesa de artistas contra a censura, na época da ditadura militar. Ela conta que Júlio só parou de trabalhar há sete anos, quando teve uma isquemia.

Além da viúva, Júlio Varella deixa também o único filho, Pedro, e a neta Clarice.

Em 2013, a Revista Diversa, da UFMG, publicou um perfil de Júlio Varella. Nas comemorações dos 90 anos, em 2017, a TV UFMG gravou um depoimento dele. "Eu vibrava quando fazia funcionar um coral, uma peça de teatro", ele diz no vídeo.

Fonte: UFMG - Itamar Rigueira Jr.

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