SÃO PAULO, São Paulo - Mostra com curadoria de Jaider Esbell, correalizada entre MAM e Fundação Bienal de São Paulo, reúne pinturas, esculturas e obras de povos indígenas em diversos suportes


'Maldita e desejada', 2012. Jaider Esbell. Acrílica sobre lona, 400 x 400 cm. Acervo Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea

Grupo Xondaro Kuery Kaguy Ijá encerra período expositivo, com apresentação aberta ao público.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo exibe até 28 de novembro a coletiva Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea, que tem curadoria de Jaider Esbell - artista macuxi falecido no dia 2 de novembro de 2021 - e é correalizada entre MAM e Fundação Bienal de São Paulo. O catálogo da mostra pode ser adquirido a partir de 27 de novembro, nas lojas física e online da instituição. No dia do encerramento, o grupo Xondaro Kuery Kaguy Ijá, formado por guerreiros do povo Guarani Mbya, da Terra Indígena Jaraguá, localizada em São Paulo (SP), realiza duas apresentações abertas ao público, às 11h e às 14h30.

Xondaro Kuery Kaguy Ijá: Guerreiros Guardiões da Floresta compreende o ritual nhande rekó (modo de vida e cultura). O Xondaro é um jeroky (dança) também realizado fora da Opy (casa de reza), uma técnica corporal embalada em um ritmo em que se ensina a defesa e o fortalecimento do corpo e do espírito do xondaro (guerreiro) que dança ao som do Mbaraká (violão), do rave'i (rabeca) e do angu apu (tambor). Organizados em círculo, evocando o formato do Sol, da Lua e da Terra, os xondaros seguem os comandos do yvyra'ija, com auxílio do popygua (instrumento Guarani) que orienta a roda dos guerreiros. O ritual é um treinamento que os antigos faziam para ter reflexos e resistência, uma dança para aprender a lutar, uma preparação para a guerra, para proteger o povo dos ataques dos juruá (homem branco) e também para viver harmoniosamente com a família natureza.

Sobre a exposição
Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea, curada por Jaider Esbell, integra a rede de parcerias da 34ª Bienal e conta com assistência curatorial da antropóloga e programadora cultural Paula Berbert e consultoria do professor do departamento de antropologia da FFLCH/USP Pedro Cesarino, e realização pelo Edital ProAC Expresso 09/2020.

Moquém designa a tecnologia milenar utilizada pelos povos indígenas para conservar os alimentos após a caça coletiva e facilitar seu transporte até as aldeias. O título da mostra - Moquém_Surarî - também refere-se à narrativa makuxi sobre a transformação do Moquém em uma mulher que, nos tempos antigos, subiu aos céus à procura de seu dono que a havia abandonado. Uma vez no céu, Surarî se transforma na constelação responsável por trazer a chuva, marcando o fim do mundo e o começo de um novo. A tecnologia de moquear é usada então para refletir sobre a troca e transformação de saberes que atravessam diferentes tempos e espaços– trânsitos que constituem os movimentos da arte indígena contemporânea.

Um dos principais objetivos da curadoria é mostrar ao público que existem outras histórias da arte e não tentar encaixar a arte indígena em uma narrativa canônica.

Moquém_Surarî apresenta trabalhos de 34 artistas indígenas dos povos Baniwa, Guarani Mbya, Huni Kuin, Krenak, Karipuna, Lakota, Makuxi, Marubo, Pataxó, Patamona, Taurepang, Tapirapé, Tikmũ'ũn_Maxakali, Tukano, Wapichana, Xakriabá, Xirixana e Yanomami. Segundo Esbell, são obras que corporificam transformações, traduções visuais das cosmovisões e narrativas do corpo de artistas, presentificando a profundidade temporal que fundamenta suas práticas. "As obras atestam que o tempo da arte indígena contemporânea não é refém do passado. A ancestralidade é mobilizada no agora, reconfigurando posições enunciativas e relações de poder para produzir outras formas de encontro entre mundos não fundamentados nos extrativismos coloniais", reflete Cesarino.

O público vai se deparar com obras em suportes diversos, há desde desenhos criados por artistas como Ailton Krenak – emblemático líder indígena, escritor e filósofo -, Joseca Yanomami, Rivaldo Tapirapé e Yaka Huni Kuin; tecelagens de Bernaldina José Pedro; esculturas de Dalzira Xakriabá e Nei Xakriabá; fotografias de Sueli Maxakali e Arissana Pataxó; gravura de Gustavo Caboco; pinturas de Carmésia Emiliano, Diogo Lima e Jaider Esbell; dentre outros.

Trata-se de um corpo artístico diverso, que une artistas de Roraima que refletem sobre os efeitos políticos e territoriais das invasões pecuárias da região, passando por outros artistas indígenas contemporâneos conhecidos no circuito das artes visuais ocidentais, até artistas que não têm relação com o mercado de arte contemporânea, mestres das práticas xamânicas, como pajés. "São obras que mostram o que são os regimes visuais indígenas, de existências milenares e dos quais a arte indígena contemporânea é tributária", explica Berbert.

Segundo Cauê Alves, curador-chefe do MAM, "a presença dessa exposição na programação do Museu de Arte Moderna de São Paulo indica uma postura institucional que desconstrói pressupostos coloniais. Moquém_Surarî inaugura um diálogo direto com artistas indígenas que permitirá que o MAM repense e amplie sua política de aquisição de acervo, incluindo grupos étnicos sub-representados ou negligenciados ao longo da história." E completa, "as narrativas dos descendentes de Makunaimî contadas por eles mesmos, certamente abrem outras perspectivas para além daquelas imaginadas pelos artistas e intelectuais modernistas centrais para fundação do MAM".

"A mostra Moquém_Surarî não apenas amplia a visibilidade da arte indígena contemporânea, como também sinaliza o interesse do MAM em valorizar a cultura de povos ancestrais que nos últimos 500 anos tem tido sua existência ameaçada", comenta Elizabeth Machado, presidente do museu.


'Sem título', da sub-série 'Transformação/Ressurgência de Makunaima / série Transmakunaimî', 2018, Jaider Esbell. Coleção do artista

Sobre o curador
Nascido na região hoje demarcada como a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Jaider Esbell, falecido no dia 2 de novembro de 2021, está entre as figuras centrais do movimento de consolidação da arte indígena contemporânea no Brasil e atuou de forma múltipla e interdisciplinar, desempenhando funções de artista, curador, escritor, educador, ativista, promotor e catalisador cultural.

A atuação de Jaider Esbell foi fundamental na ampliação da compreensão sobre a arte indígena contemporânea e sobre o pensamento cosmológico ameríndio. Ele ajudou a transformar o país num espaço mais diverso em tempos em que as ameaças aos povos indígenas têm se intensificado. As narrativas de Jaider, como descendente de Makunaima, além de valorizar a cultura dos povos ancestrais, abrem outras perspectivas e possibilidades para além daquelas já conhecidas e imaginadas pelos artistas e intelectuais modernistas centrais para fundação do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

LISTA COMPLETA DE ARTISTAS
Ailton Krenak | Amazoner Arawak | Antonio Brasil Marubo | Arissana Pataxó | Armando Mariano Marubo | Bartô | Bernaldina José Pedro | Bu'ú Kennedy | Carlos Papá | Carmézia Emiliano | Charles Gabriel | Daiara Tukano | Dalzira Xakriabá | Davi Kopenawa | Denilson Baniwa | Diogo Lima | Elisclésio Makuxi | Fanor Xirixana | Gustavo Caboco | Isael Maxakali | Isaiais Miliano | Jaider Esbell | Joseca Yanomami | Luiz Matheus | MAHKU | Mario Flores Taurepang | Nei Leite Xakriabá | Paulino Joaquim Marubo | Rita Sales Huni Kuin | Rivaldo Tapyrapé | Sueli Maxakali | Vernon Foster | Yaka Huni Kuin | Yermollay Caripoune

Sobre o MAM São Paulo
Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

O Museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e uma loja onde os visitantes encontram produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM. Os espaços do Museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.

Sobre a 34ª Bienal de São Paulo
Com curadoria geral de Jacopo Crivelli Visconti, a 34ª Bienal – Faz escuro mas eu canto, iniciada em fevereiro de 2020, vem se desdobrando no espaço e no tempo com programação tanto física quanto on-line, e culminará na mostra coletiva que vai ocupar todo o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, a partir de setembro de 2021, simultaneamente à realização de dezenas de exposições individuais em instituições parceiras na cidade de São Paulo.

Serviços
Xondaro Kuery Kaguy Ijá: Guerreiros Guardiões da Floresta
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Data: 28 de novembro de 2021
Horário: às 11h e às 14h30
Endereço: Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portões 1 e 3)
Telefone: (11) 5085-1300
Ingresso: Entrada gratuita, com contribuição sugerida.

* Em razão de evento no Parque do Ibirapuera, os portões estarão abertos para pedestres, porém inacessíveis para entrada de veículos, não sendo possível também estacionar no parque.
Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Curadoria: Jaider Esbell
Assistência de curadoria: Paula Berbert
Consultoria: Pedro Cesarino
Período expositivo: Até 28 de novembro de 2021
Endereço: Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portões 1 e 3)
Horários: terça a domingo, das 10h às 18h (com a última entrada às 17h30)
Telefone: (11) 5085-1300
Ingresso: Entrada gratuita, com contribuição sugerida. Agendamento prévio necessário.
Catálogo da exposição: disponível para venda na loja física e online (mam.org.br/loja) a partir de 27 de novembro

Ingressos disponibilizados online www.mam.org.br/ingresso

Acesso para pessoas com deficiência
Restaurante/café
Ar-condicionado

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34ª Bienal de São Paulo
Período: até 5 de dezembro de 2021
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera
Entrada gratuita

Equipe curatorial
Curador geral: Jacopo Crivelli Visconti
Curador adjunto: Paulo Miyada
Curadores convidados: Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez
Editora convidada: Elvira Dyangani Ose, em colaboração com The Showroom, London
www.34.bienal.org.br

Fonte: divulgação por e-mail

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