SÃO PAULO, São Paulo - A Caixa Cultural inaugura, dia 15 de janeiro, mostra individual do artista e arquiteto Stênio Burgos, a partir da curadoria de Denise Mattar


Obra da exposição 'Barroco Sertanejo', de Stênio Burgos (Foto: divulgação)

A exposição Barroco Sertanejo, elaborada para a Caixa Cultural de São Paulo, com itinerância prevista para Salvador, Recife e Fortaleza, é tributária de Realtopia. Por isso, serão expostas imagens, poemas e textos, tanto do caderno original, de 1984, quanto da retrospectiva homônima de 2020, criando uma visão caleidoscópica do pensamento e do percurso do artista, assim como a ressonância de seu trabalho junto ao circuito de arte.

REALTOPIA
Aos 30 anos, rodeado pela efervescência dos anos 1980, momento no qual o país apostava em mudanças, Stênio Burgos participou, como arquiteto, de um grupo de estudos prospectivos sobre futuros possíveis, organizado pelo Clube de Roma, associação não governamental, que existe até hoje, e desde 1968, estuda assuntos relacionados ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Ele havia sido convidado para o projeto pelo diplomata espanhol Jose Luis Pardos Perez, então Diretor Geral de Cooperação Técnica Internacional, órgão ligado ao Ministério de Relações Exteriores. A proposta da associação era ouvir pessoas de todo o mundo, para que suas ideias participassem do Forum Humanum, sobre tecnologias populares nas casas da América Latina. Na contramão das formulações acadêmicas, Stênio Burgos apresentou suas reflexões sob a forma de um caderno contendo desenhos, poemas e pensamentos, ao qual deu o nome de Realtopia. Não por acaso foi esse mesmo nome que o artista escolheu para intitular sua exposição retrospectiva, realizada na Fundação Edson Queiroz, em Fortaleza, com a curadoria de Olga Paiva. Prevista para inaugurar em março de 2020, a exposição, como tantas outras, no Brasil e no mundo, só pode abrir as portas, timidamente, em setembro do mesmo ano, sem direito a vernissage, comemorações ou catálogo.

O nome Realtopia é, por si, um convite à reflexão. Uma proposta de unir realidade e utopia, sem ocultar fatos ou criar fantasias. Nas páginas do caderno estão contidas observações afetivas, diagnósticos sensíveis e considerações sobre a sociedade de consumo, que é vista como um circo, e descrita com humor rascante. Os poemas têm lampejos de síntese político-poética, em construções como asfalto/assalto, poder/miséria, tensão/domínio, mas, curiosamente, o documento deixa entrever os caminhos do futuro trabalho artístico de Stênio, em anotações esparsas, que são quase premonições, como: impulso de cores, tintas holandesas e corante da Índia.

SOBRE A ARTISTA
José Stênio Burgos de Macedo nasceu em Crateús, em 11 de abril de 1954. Seu pai, Francisco Sales de Macedo, era médico e foi estudar na Bahia, onde conheceu Sonia Belo Burgos. Casaram-se e foram residir no sertão cearense, onde tiveram quatro filhos. Desde criança gostava de desenhar, e veio daí sua opção por estudar Arquitetura, que cursou na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza. Ainda como estudante viajou para Paris, onde visitou os museus, impregnando-se de Arte. Na volta começou a trabalhar no Banco Central, e após sua formatura, em 1978, conseguiu uma transferência para o Rio de Janeiro.

Nesse período teve intensa convivência com artistas como Paulo Roberto Leal e Alex Vallauri, entre outros; assistiu a luta pela mudança política, a agitação, o frenesi e a festa da Geração 80; mas nada daquilo combinava com seu trabalho. Pediu demissão em 1982, e voltou para o sertão. Foi um momento de recolhimento, de busca interior. Um movimento de solitude que repetiria algumas vezes em sua vida, como um recurso de renovação.

Realtopia nasceu depois de sua volta ao Rio de Janeiro. O caderno chegou à Europa pelas mãos do cantor Fagner e abriu as portas para que Stênio fizesse seu doutorado em arquitetura em Barcelona. Durante os quase três anos em que permaneceu na cidade estudou pintura, criou naturezas-mortas, das quais restaram apenas algumas, que, se já prenunciam a força do traço do artista, estão longe de mostrar a energia da cor que viria a caracterizar seu trabalho.

De volta ao Ceará, em 1987, conviveu estreitamente com a arte através do olhar sensível da amiga Myra Eliane. Nesse período sua criatividade se expressa na arquitetura, na criação de interiores, no garimpo de objetos e na seleção de obras de arte. A busca pelo raro e exclusivo o leva ao extremo sul do país, onde tem fundamental encontro com mestre Iberê Camargo e sua pintura forte, densa, carregada de presságios, prenhe da energia das tintas que se acumulam jorrando diretamente do tubo. Em 1998, acontece a ruptura e a epifania. Stênio sai da cidade e isola-se na praia. Levado por uma paixão, mal sabia que viria a ser subjugado por outra; mais poderosa, mais absorvente e mais imperativa – a pintura.

AÇÃO ITINERANTE
- CAIXA Cultural São Paulo – 15 de janeiro a 3 de abril de 2022 - Galeria D. Pedro II
- CAIXA Cultural Salvador – 18 de abril a 19 de junho de 2022 - Galeria do Pátio
- CAIXA Cultural Recife – 4 de julho a 11 de setembro de 2022 - Galeria 2
- CAIXA Cultural Fortaleza – 26 de setembro a 20 de novembro de 2022 - Galerias 1 e 2.

Serviço
Local: Caixa Cultural São Paulo

Abertura: 15 de janeiro - 11h
Período expositivo: 15 de janeiro de 2022 até 3 de Abril de 2022
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro Histórico, São Paulo
Horário: terça a domingo, das 10 às 18h
Informações: (55) 11 3321-4400

Fonte: divulgação por e-mail

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