BAHIA, Salvador - Ao meio-dia deste sábado 14 de janeiro, foi aberto o "Espaço Lina" no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), fruto de uma parceria com o Instituto Bardi / Casa de Vidro de São Paulo


Foto: divulgação/MAM-BA

Localizado ao lado do galpão das oficinas do museu, o espaço não é apenas uma homenagem à arquiteta e designer ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, mais que isso, trata-se de um espaço de pensamento contemporâneo, investigativo e inquieto, que busca contribuir para o resgate de uma identidade baiana e brasileira nas artes, na arquitetura, e no design.

O espaço tem a simplicidade que é tão valorizada por Lina em seus projetos e ideias. Paredes brancas plotadas com uma linha do tempo que situa momentos da vida de Lina na história mundial e do Brasil; uma televisão que exibe um vídeo sobre o legado de Lina e sua relação com a Bahia; alguns documentos, como o currículo da arquiteta digitado ainda em máquina de datilografar, exposto numa vitrine; um computador disponível para pesquisa; e uma grande mesa de madeira rodeada de cadeiras com design assinado pela própria Lina. Isto porque mais que uma sala de exposição, o Espaço Lina foi criado para ser um local de convivência, dialogando com os conceitos de museu vivo e museu escola defendidos por Lina.

Na abertura, marcaram presença o diretor do MAM, Pola Ribeiro; o conselheiro do Instituto Bardi, Renato Anelli; a chefe de gabinete da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBa), Cristiane Taquari, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), Adélia Pinheiro; o secretário de Turismo Maurício Bacellar, o diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), João Carlos Oliveira; e o curador do MAM, Daniel Rangel, além de Marcius Gomes da secretaria de estadual de Educação.

O Pensamento de Lina
A gestão do MAM tem trabalhado a partir de três pilares: o patrimônio cultural-artístico, o acervo do museu e o pensamento de Lina, que foi restauradora do Solar do Unhão, projetando o espaço como referência para outros restauros no Brasil. "Não fizemos um altar para Lina, não é para venerar Lina, é muito mais um tubo de ensaio para colocar o pensamento de Lina em crise, atualizar o pensamento dela, é esse diálogo que nos interessa e o Instituto Bardi nos dá essa chancela", explicou o diretor do MAM, Pola Ribeiro.

Já o curador do museu, Daniel Rangel destacou a importância de Lina para o MAM e lembrou que a obra mais valiosa do acervo, uma pintura de Tarsila do Amaral, foi doada por Lina ao museu. "A presença de Lina faz com que o MAM já surja nos anos 1950 com esse olhar nacional, dentro da modernidade do Brasil, buscando um país com uma identidade forte para o mundo", enfatizou.

Paralelo à criação do Espaço Lina, o MAM está propondo também a criação de um circuito turístico, o Circuito Lina, para que visitantes possam conhecer as obras de Lina localizadas no centro de Salvador, como a Fundação Gregório de Mattos, a Casa Coaty, a Casa do Benin, dentre outros prédios históricos da cidade.

Produção e inovação
Conselheiro do Instituto Bardi/Casa de Vidro, Renato Anelli falou do quão simbólico é o fato de o Espaço Lina ter sido criado ao lado do galpão de oficinas, uma vez que pensar novas possibilidades de produção também era uma preocupação dela, e que permanece como desafio até os dias atuais. Lina foi criadora do primeiro curso de desenho industrial do Brasil e, ao chegar à Bahia, nos anos 1950, dedicou-se a estudar o artesanato numa perspectiva de desenvolvimento econômico. "Junto com o Brennand, em Recife, e com Olívio Xavier, no Ceará, ela fez a pesquisa Nordeste, levantando a produção de artesanato local como uma contraposição à monocultura produzida aqui", afirmou.

Foi pensando neste desafio de criar novas possibilidades de produção que a SECTI se integrou ao projeto. A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), Adélia Pinheiro, destacou que a inovação se dá a partir de um processo que se inicia com o pensamento e a criatividade, para depois partir para a concretização através da oficina do fazer. Para ela, o Espaço Lina "é um centro de inovação vinculado a uma cadeia de um setor produtivo muito importante para a Bahia, que é a arte e a cultura".

Política de Museu
Mais que um museu, o MAM é um espaço cultural amplo, que reúne diversos públicos, desde aquele que frequenta o museu e o cinema, o que participa das oficinas, o que vai à praia, e até mesmo aquele que vai apenas contemplar o pôr do sol, que é um dos mais bonitos da cidade. Para o diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), João Carlos Oliveira, essa complexidade exemplifica o conceito de Lina sobre espaço cultural. "A política de museu do estado é uma política pública, e o Espaço Lina vem para resgatar um debate feito na década de 1950, entendendo que aquele debate já era um pensamento de futuro de país", disse ele.

Esse pensamento coaduna com a política da SecultBA de ver a cultura em movimento, cada vez mais dinâmica e acessível a todos os públicos. Representando a secretária de Cultura, a chefe de gabinete, Cristiane Taquari, parabenizou a equipe do MAM e agradeceu ao Instituto Bardi/Casa de Vidro pela parceria. "O MAM, de fato, sintetiza a marca da nossa gestão", concluiu.

Acesse: www.mam.ba.gov.br, redes sociais (Instagram e Facebook) ou telefone (71) 31176132 (segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 15h).

O MAM é um equipamento do Ipac/Secretaria de Cultura.

Fonte: SecultBA

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