RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Uma nova espécie de dinossauro, considerada a maior do Brasil já descrita, foi identificada e anunciada essa semana por um grupo de paleontólogos, composta por Alexander Kellner e a estudante de doutorado, Kamila Bandeira, ambos do Museu Nacional (MN), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Diógenes de Almeida Campos, coordenador do Museu de Ciências da Terra.

Batizada como Austroposeidon magnificus, a nova espécie, por suas características, foi classificada no grupo dos titanossauros – herbívoros de pescoço e cauda longos, com crânio pequeno. Viveu há 70 milhões de anos no planeta, andava em grupo e tinha cerca de 25 metros de comprimento. Para se ter uma ideia de sua magnitude, era maior em tamanho do que aqueles ônibus duplos e articulados do sistema de transporte BRT. Antes de sua descoberta, o maior dinossauro, também do grupo dos titanossauros, era o Maxakalisaurus topai, com 13 metros de comprimento.

A pesquisa que levou a identificação dessa nova espécie foi realizada com base nos fósseis encontrados no ano de 1953, durante a construção de uma rodovia, na cidade de Presidente Prudente, São Paulo, por Llewellyn Ivor Price (1905-1980), considerado o pai da Paleontologia no Brasil. À ocasião, os ossos foram levados para o Museu de Ciências da Terra, que atualmente é administrado pelo Serviço Geológico Brasileiro (CPRM). Segundo Kellner, apesar da crise atual que impede as pesquisas avançarem por falta de recursos financeiros, grande parte desses estudos foram financiados com ajuda de subsídios concedidos pela FAPERJ. “Foi por falta de dinheiro e recursos tecnológicos que esse material ficou tanto tempo para ser analisado”, justifica o paleontólogo.

Para se chegar à conclusão do tamanho do gigante notável, muito trabalho foi realizado, com incessantes análises, que contaram com a colaboração de pesquisadores do Museu de Ciências da Terra, do Museu Nacional, da Petrobras e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). De acordo com Kamila Bandeira, como só havia ossos da coluna vertebral, um dos recursos foi estruturar uma montagem do Austroposeidon magnificus em comparação a outras espécies. “Se você comparar o tamanho da cavidade onde se encaixa a espinha dessa nova espécie com a do Maxakalisaurus topai, por exemplo, a diferença é gritante. O tamanho da cavidade onde a espinha do Austroposeidon magnificus  se encaixava na ossada já nos dava claros sinais de sua magnitude”, diz Kamila.

Para Diógenes, a ossada do crânio, que não foi encontrada, poderia ajudar muito nas pesquisas. Porém, como o fóssil pertence a um animal que morreu de causas naturais, era difícil a total conservação de sua estrutura. “Imagina o banquete que a morte de um animal desse tamanho representou à ocasião para outros dinossauros? Ele certamente foi todo desmembrado, pois cada espécie se alimentou dele de forma diferente. Havia, inclusive, aquelas que quebravam a caixa craniana para comer o cérebro do animal. O que sobrou só se conservou porque, de alguma forma, os restos da ossada acabaram sendo levados para o fundo de uma lagoa, onde se petrificaram”, explica.

O Austroposeidon magnificus representa a 23ª espécie achada no Brasil e, segundo Kellner, pode ser equiparada aos maiores exemplares de titanossauros encontrados em terras portenhas. “Essa descoberta, além de aumentar a diversidade dos dinossauros brasileiros, vem para suprir um questionamento que eu tinha há tempos: do porquê não haver no Brasil um exemplar de dinossauro tão grande quanto os encontrados na Argentina, nossa vizinha, que beiram os 36 metros de comprimento. Agora, com a chegada do Austroposeidon magnificus, fica mais evidente que é possível achar fósseis de espécies ainda maiores aqui no País.”

Fonte: Faperj - Danielle Kiffer

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