RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Peças da artista plástica ganham instalação


Cheias de simbolismos, as vassouras ocupam um lugar importante no imaginário social. As vassourinhas criadas por Monica extrapolam a função de varrer e ganham um novo status (Foto: Dora Lima/divulgação)

O Sesc Copacabana recebe a partir desta sexta (5) a exposição Vassourinhas, de Monica Carvalho, artista plástica e artesã, que tem a natureza como suporte para sua arte. A mostra trará uma coletânea de 22 anos de diferentes séries de vassouras, além de peças especialmente criadas para o projeto, dispostas e expostas dentro de um conceito de varredura. A direção de arte e curadoria é de Bia Junqueira e a idealização é de Beto Bruno.

Cheias de simbolismos, as vassouras ocupam um lugar importante no imaginário social. As vassourinhas criadas por Monica extrapolam a função de varrer e ganham um novo status. Na concepção da instalação, Bia buscou realçar o movimento das vassourinhas, motivando o público a se mover por entre elas, destacando a relação do corpo com o varrer, provocando curiosidade para um novo olhar sobre o objeto utensílio. Elas se apresentarão flutuantes, na iminência do movimento.

Na exposição, selecionada através do Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2022, uma série de breves depoimentos e narrativas poderão ser ouvidos pelo visitante: Histórias do rico universo invisível das vassouras –superstições, histórias corriqueiras, ritos, simbolismos, passando por simples relatos de pessoas sobre as suas relações individuais com as vassouras até relações coletivas em diversas culturas e épocas.

“Quando eu nasci, meu irmão ganhou uma vassoura vermelha, ela habitou nosso universo infantil entre carrinhos, forte Apache, bonecas e jogos. Ela está aqui gasta e velha e continua exercendo sua função primária: varrer e proteger, conduzir e transportar. Ao longo dos 25 anos dedicados a nós, as vassouras sempre estiveram presentes, não importando o tamanho, a fibra ou trama sempre surgia mais uma para a função determinada ou para simplesmente ornar. Minha intimidade com elas é tamanha que comecei a percebê-las como representantes de seu habitat, portadoras de seu DNA, testemunhas da flora local. Elas são tão simples e tão necessárias, embaixadoras da limpeza, das crendices, do poder de espantar e afastar, mas também da capacidade de limpar e trazer”, explica Monica.

“Varrer é percorrer. Varrer é se deslocar no espaço e fazer coisas se deslocarem. O trabalho de Monica apresenta uma nova forma de percepção de materiais, das vassouras e do ato de varrer. Ela se nutre das culturas ancestrais mais diversas, e somado à sua pesquisa de materiais orgânicos da flora brasileira, cria um universo único, onde um utensílio banal e comum se transforma em objeto de desejo”, afirma Bia Junqueira.

A exposição vai contar ainda com performances da artista K Sea Ya, uma por vídeo, que ficará em projeção durante todo o período da mostra, e outra presencial, que será apresentada no dia da abertura. A performance em vídeo nomeada “Oráculo de Sal” tem 4 minutos e ficará projetada, em looping, na entrada da exposição. Já a presencial, intitulada “Marés de Passagem”, é criada ao vivo a partir de uma partitura que inclui ação-espaço-tempo-intenção e convida à experiência das forças que moldam o futuro e revelam um tempo de imprevisibilidade e mudanças na percepção de quem somos e como nos movemos no mundo. Sal e Vassoura, dois elementos comuns do nosso cotidiano, se transformam em meta-agentes de fluxo e transformação.

“Vassourinhas” fica em cartaz até o dia 4 de setembro e será finalizada com uma oficina ministrada por Monica. Nela, os participantes irão confeccionar sua própria vassourinha, experienciando a relação objeto-afeto diferente da relação objeto-arte e objeto- utensílio. As vagas são limitadas e a inscrição será feita no local da mostra.

Sobre Monica Carvalho
Artesã e artista plástica, Monica descobriu na intimidade com a natureza sua grande inspiração. Em caminhadas por florestas, rios, praias, manguezais, montanhas e campos ela sempre colheu o que chama de ¨fascinantes sobras orgânicas¨. Suas obras remetem aos atuais problemas ecológicos, alertam contra o descuido para com a natureza e extravasam um fio feminino de doçura, agressividade, indignação, elegância, requinte e sensualidade. Suas peças alcançaram o status de objeto de design e já ganharam exposições e pontos de venda em todo o mundo, além de prêmios, mostras, livros e espaço em grandes veículos de imprensa nacionais e internacionais.

Sobre Bia Junqueira
Artista interdisciplinar, sua obra se destaca pela força poética, conceitual e diversidade plástica. Entre suas expressões atua como diretora de arte, curadora, diretora artística e cenógrafa. Especializada em conceituar e criar espaços em suas múltiplas linguagens – instalações, intervenções urbanas, teatro, cinema, exposições, shows, novas mídias – desenvolve projetos no mercado nacional e internacional. Entre os projetos realizados, desenvolveu parcerias com o centro cultural francês Frac Lorraine na recriação de performances e instalações de artistas de sua coleção. Vem recebendo indicações e prêmios nas áreas que atua, representou o Brasil na Quadrienal de Praga em 2015 e 2019. Faz parte do corpo curatorial para a próxima Quadrienal em 2023. Participou do Fórum Cultural Mundial 2004, e de simpósios e fóruns nacionais e internacionais em torno da curadoria, difusão e espaços de criação.

Serviço
Vassourinhas, de Monica Carvalho

De 5 de agosto a 4 de setembro
Local: Galeria do Sesc Copacabana - R. Domingos Ferreira, 160
Copacabana, Rio de Janeiro
Horário: 10h às 19h
Entrada Gratuita
Classificação Livre
Instagram: @monicacarvalhoklausschneider

Fonte: Revista Programa (JB)

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