RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Conhecida por suas pinturas, artista fará uma única instalação, com cerca de 250 peças em porcelana produzidas nos últimos três anos.

Peça produzida a partir da porcelana esmaltada é um dos destaques da exposiçãoPintora, desenhista e gravadora são alguns dos papéis desempenhados pela catarinense Gabriela Machado que, até o dia 3 de julho, ocupa o Museu de Arte Moderna do Rio (MAM) com Things that Fit in My Hand. Na mostra, que tem curadoria de Fernando Cocchiarale, a artista explora mais um destes papéis ao apresentar ao público o fruto de sua pesquisa em porcelana. Cerca de 250 peças produzidas com o material nos últimos três anos ocupam uma grande mesa do segundo andar, em uma instalação inédita da artista, que faz sua primeira individual no museu.

Com tamanhos que variam de 3 a 80cm, grande parte das esculturas estão colocadas sob bases desenvolvidas por Gabriela a partir de materiais diversos, entre eles argila, madeira, gesso e silicone, além da própria porcelana. Para a artista, as peças representam um desdobramento de seu trabalho como pintora. "As esculturas trazem muito da minha pintura. Elas têm o mesmo olhar, é um trabalho irmão. Tanto nas pinturas quanto nas esculturas, trabalho com a questão do olhar, da base e do espaço", afirma.

Outra semelhança entre as pinturas e as esculturas em porcelana é o trabalho físico da artista. Para dar vida às suas pinturas, Gabriela coloca painéis no chão e anda sobre eles, se utilizando de nanquim em bastão para pintá-los, com movimentos rápidos. As esculturas também exigem este tipo de trabalho e até mesmo esforço. "Uso a argila da porcelana por ser um material bastante resistente e, ao mesmo tempo, maleável. Através dessa fluidez, consigo construir tudo o que a força da minha mão permite, pois este é o fio condutor do trabalho: fazer até o limite da força, da percepção e das possibilidades que o material pode alcançar", diz.

As esculturas não trazem os mesmos tons vibrantes das pinturas, mas a cor ainda está presente, como nas peças que foram produzidas em Portugal, destacadas por Gabriela. "O esmalte português é mais colorido que o daqui. As peças produzidas lá têm cores mais fortes", explica a artista, fortemente influenciada pelo estilo barroco. "Morava em uma casa do século XVIII, com afrescos pintados por José Maria Villaronga. Meu pai gostava muito do cuidado com a recuperação dos afrescos e da arquitetura da casa. Pude assistir de perto a riqueza desse trabalho detalhado ao longo da minha infância", conta.

Formada em arquitetura e urbanismo, Gabriela Machado chegou, inclusive, a trabalhar em projetos de restauração antes de se dedicar às artes plásticas, a partir de meados dos anos 1980.

Fonte: SEC RJ (colaboração de Danielle Veras)

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31