DISTRITO FEDERAL, Brasília - Lugar de memória de uma história que a humanidade não pode esquecer, o Cais do Valongo, principal porto de entrada de escravos no Brasil e nas Américas, foi reconhecido como Patrimônio Mundial em 2017.

Sítio arqueológico Cais do Valongo, RJ (Foto: Oscar Liberal)

No próximo 23 de novembro, sexta-feira, na semana da Consciência Negra, o Seminário Internacional Cais do Valongo Patrimônio Mundial irá marcar a cerimônia de entrega do título conferido pela Unesco e debater os desafios da gestão e interpretação do sítio, no Museu de Arte do Rio (MAR).

Desde que o Cais do Valongo foi revelado em 2011, durante escavações nas obras da zona portuária do Rio de Janeiro, o sítio arqueológico trouxe grandes descobertas. Os únicos vestígios materiais da chegada dos africanos no país estavam aterrados na região portuária, e foram expostos ao mundo. Estima-se que, por ali, passaram cerca de um milhão de africanos escravizados, somente no século XIX. “O reconhecimento de sítios sensíveis como esse, coloca em evidência a necessidade de compartilharmos nossa experiência em prol de uma visão mais humanista da sociedade global”, reflete a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa.

Com a participação de especialistas internacionais em sítios de memória sensível, o seminário fará uma reflexão sobre a necessidade de se avançar no processo de gestão compartilhada desse Patrimônio Mundial. Uma realização da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, em parceria com o Iphan e a Representação da Unesco no Brasil, o evento também irá discutir a construção do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, na zona portuária, dedicado à escravidão e à herança afro.

Sítios de memória sensível
Durante o Seminário Internacional, o diretor do Memorial AcTe, Thiérry L’Etang irá debater sobre o caso do Centro de Expressões e Memória do Tráfico de Escravos e Escravidão, em Guadalupe, França. Os especialistas Deirdre Prins-Solani e Vuyo Mfanekiso apresentarão o museu Robben Island, complexo prisional na Cidade do Cabo, África do Sul, onde estiveram presos líderes do movimento anti-Apartheid, inclusive Nelson Mandela, por 27 anos. A mesa será mediada por Cristina Lodi, coordenadora de criação do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

A programação também conta com uma apresentação do caso do monumento African Burial Ground, construído sobre um imenso cemitério de escravos em Nova Iorque, EUA. Com a mediação diretor de Cooperação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito, a mesa terá o especialista em interpretação de sítios Marcelo Martín, professor da Universidad Pablo de Olavid, em Sevilha, Espanha.

O caso do circuito na zona portuária do território conhecido como Pequena África, no Rio de Janeiro, será apresentado por representantes das instituições afro-brasileiras Instituto Pretos Novos, Quilombo da Pedra do Sal, Centro Cultural Pequena África, Remanescentes de Tia Ciata e Afoxé Filhos de Gandhi. O público poderá conhecer os resultados e desafios do plano de gestão do sítio arqueológico Cais do Valongo, a partir da experiência da secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira; a historiadora Martha Abreu; e a presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Claudia Escarlate.

O novo projeto de conservação do sítio arqueológico do Valongo, que contará com investimento de US$ 500 mil, em parceria com o consulado dos EUA, será apresentado por Ricardo Piquet, diretor do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). No encerramento, haverá ainda a posse do Conselho Consultivo do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

A participação no evento é aberta ao público, com inscrições gratuitas e limitadas. Elas podem ser feitas até o dia 20 de novembro, pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Programação
Sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Museu de Arte do Rio (MAR)
Inscrições limitadas até terça-feira, 20 de novembro pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. (tolerância de chegada até às 9h30, pede-se informar desistências com antecedência)

9h – 10h Credenciamento e café de recepção

10h – 11h30
MESA DE ABERTURA E ENTREGA DO TÍTULO DE PATRIMÔNIO MUNDIAL – CAIS DO VALONGO
Participam: Unesco, Iphan, Instituto Estadual do Patrimônio Artístico Cultural (Inepac), SMC, Conselho Municipal de Defesa Direitos do Negro (Comdedine), Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), Instituto Pretos Novos e Quilombo Pedra do Sal

11h30 – 13h
MESA 1 - MUSEUS DE MEMÓRIA SENSÍVEL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO
Mediador : Cristina Lodi (Secretaria Municipal de Cultura)
- O caso do Memorial ACTe de Guadalupe, França: Mr. Thiérry L’Etang
- O caso de Robben Island Museum (RIM), complexo prisional em Cape Town, África do Sul, Patrimônio Mundial da Unesco: Mrs. Deirdre Prins-Solani (via vídeo) e Mr. Vuyo Mfanekiso

14h – 15h30
MESA 2 - DESAFIOS NA INTERPRETAÇÃO DE SÍTIOS DE MEMÓRIA SENSÍVEL
Mediador: Marcelo Brito (Diretor de Cooperação e Fomento do Iphan)
- Especialista em interpretação de sítios e Professor Associado da Universidad Pablo de Olavid (UPO), em Sevilha, Espanha: Marcelo Martín
- O caso do African Burial Ground National Monument em Nova Iorque, EUA: vídeo institucional com comentário de Nilcemar Nogueira

15h30 – 16h30
MESA 3 - PROJETOS NO TERRITÓRIO DA PEQUENA ÁFRICA
Mediador : Mônica Lima (LABHOI e LeÁfrica)
- O caso do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira como interpretação do Cais do Valongo e seu território: Nilcemar Nogueira e Vinícius Natal (SMC)
- O território da Pequena África, seus circuitos, interpretações e pesquisas: Instituto Pretos Novos (Merced Guimarães), Quilombo da Pedra do Sal, Centro Cultural Pequena África (Rubem Confete), Remanescentes de Tia Ciata (Gracy Moreira) e Afoxé Filhos de Gandhi
- A interpretação do território através de seus personagens: Martha Abreu (UFF-LABHOI)

16h30 – 18h
MESA 4 - PROJETOS E RESULTADOS DA GESTÃO DO VALONGO
Mediador: Nilcemar Nogueira (Secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro)
- O projeto do Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o acervo arqueológico da região do Valongo: Claudia Escarlate (IRPH)
- O plano inicial de Gestão do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, suas diretrizes e resultados: Representante do Comitê Gestor do Valongo
- Apresentação do projeto de consolidação e conservação do Cais do Valongo: Ricardo Piquet, Diretor-Presidente do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG)

18h – 19h
ENCERRAMENTO
POSSE DO CONSELHO CONSULTIVO DO MUSEU DE TERRITÓRIO (Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira)

Fonte: Iphan

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