RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Após um hiato de cinco meses marcado pela campanha de financiamento coletivo nas redes sociais RHBN Resiste, a Revista de História da Biblioteca Nacional finalmente retorna às bancas com edição que analisa a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal.

A resolução de dezembro de 1815 não apenas valorizou a parte brasileira do império português - que desde 1808 servia de residência para a família real - como foi um importante fator na cadeia de acontecimentos políticos que culminou na declaração de independência do país, em 1822. De forma curiosamente apropriada, a capa da edição que marca o recomeço da Revista de História retrata Dom João VI, mesmo personagem que estampou sua primeira publicação, em julho de 2005.

O dossiê Brasil Reino Unido aborda a transformação da relação política do Brasil com Portugal, além do crescimento da importância da antiga colônia portuguesa no cenário internacional, ilustrada por sua participação no Congresso de Viena. A edição também analisa como o status adquirido pelo Brasil desagradou certos segmentos sociais da época, tanto brasileiros quanto portugueses: no Brasil, a decisão deflagrou a Insurreição Pernambucana de 1817, enquanto em Portugal gerou uma série de críticas à coroa.

Além do dossiê, a nova edição também aborda o polêmico programa “Escola sem partido”, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados por iniciativa do deputado estadual Flávio Bolsonaro. “A tentativa de abolir os direitos do professor chega ao extremo de afirmar que ‘não existe liberdade de expressão no exercício estrito da atividade docente’”, discorre o historiador Fernando de Araujo Penna.

A revista traz uma discussão sobre as instabilidades políticas do presidencialismo na América Latina. “A partir da década de 1980, ao mesmo tempo em que a democracia se consolidava em quase todo o continente, cerca de vinte presidentes abandonaram a função antes de acabar seu mandato por conta de impeachments no Congresso ou de mobilizações populares”, revela o pesquisador Andrés Malamud, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

A nova publicação também traz uma análise sobre a conquista do voto feminino no Brasil. A medida chegou a ser proposta na primeira Assembleia Constituinte republicana, que promulgaria a Carta de 1981, mas foi rejeitada pelos seus membros conservadores “Os deputados contrários insistiam que, se as emendas fossem aprovadas, ocorreria a desagregação da família e o caos na sociedade”, conta a historiadora Mônica Karawejczyk.

A entrevista do mês é com o historiador Luiz Antonio Simas, que fala sobre seu livro mais recente Dicionário da História Social do Samba, em parceria com Nei Lopes. Grande pesquisador da herança africana na cultura popular brasileira, Simas busca desconstruir a imagem estereotípica do carnaval, das favelas e do candomblé exportada pelo Brasil. Na conversa, ele analisa as raízes dos embates entre a cultura de rua e os agentes da ordem pública: “João da Baiana, um dos pioneiros do samba, em certa ocasião foi enquadrado na lei da vadiagem, e a prova da vadiagem era o pandeiro que ele usava”.

Publicada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional – SABIN – a Revista de História da Biblioteca Nacional é vendida nas bancas de todo o país e tem 110 mil exemplares distribuídos mensalmente para todas as escolas públicas do Brasil. A revista conta com o patrocínio do banco Itaú e, há 10 anos, da Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora da cultura nacional.

Fonte: divulgação por e-mail

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