RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - A edição 124 da RHBN chega às bancas com um tema urgente: o drama dos refugiados. Assunto que entrou novamente para a ordem do dia com a chamada “crise migratória” na Europa, as populações que são forçadas a se deslocar passaram a atrair a atenção geral das nações ao longo do século XX.

124ª edição da Revista de História da Biblioteca NacionalO estatuto jurídico dos refugiados começou a ser definido em meados do século passado e o Brasil esteve presente no processo de criação das primeiras organizações para tratar do assunto, ainda na década de 1940. O país recebeu refugiados, embora tenha mantido uma relação ambígua com alguns grupos – caso dos judeus, vistos com maus olhos durante o governo varguista.

Recentemente, como também demonstra o dossiê desta edição, o país tem desempenhado papel fundamental com uma categoria de refugiados cujo status legal ainda é objeto de disputas, caso dos haitianos, presentes no Brasil em grande parte por conta da crise humanitária agravada por um terremoto.Os artigos ainda trazem histórias de vidas que foram inteiramente transformadas pela condição de refugiado, do desenraizamento original das famílias ao acolhimento nas novas paragens – caso dos congoleses que vão disputar os jogos olímpicos no Rio de Janeiro pelo “Time de Atletas Olímpicos Refugiados.”

Além do dossiê, a nova edição aborda temas esquecidos do passado nacional, como o assassinato do poeta Annibal Teophilo pelo escritor Gilberto Amado em 1915. Em tempos de polarizações via redes sociais, o artigo do filósofo Marcelo de Araújo mostra como, cem anos atrás, uma divergência literária chegou ao fim trágico em pleno saguão do Jornal do Commercio, no Rio de Janeiro.

A revista lembra também o escritor Jorge Luis Borges, cuja morte completa três décadas este ano. Pedro Demenech lembra a relação do autor argentino com a sua Buenos Aires natal e contraria os críticos que supunham um Borges a-histórico e alheio à realidade: “Seu nome ganhou a antipatia de intelectuais latino-americanos comprometidos com o engajamento social. Em entrevistas, Borges ironizava os ataques: dizia que os críticos conheciam mais sua obra do que ele próprio”.

Outro gigante da literatura que ganha espaço neste número é Mário de Andrade. O artigo escrito pelo especialista Eduardo Jardim, autor do recente livro “Eu sou trezentos: Mário de Andrade, vida e obra”, traz uma boa mostra de um aspecto central deste ícone do Modernismo: a tensão entre a afirmação e o aniquilamento. Segundo Jardim, “várias formas de dualidade aparecem na obra e no pensamento de Mário de Andrade.”

A entrevista do mês é com o sociólogo e doutor em Letras José Ribamar Bessa Freire, um dos principais especialistas brasileiros na história das línguas indígenas. Professor da UERJ e da Uni-Rio, Bessa Freire chama atenção para a política deliberada de esquecimento das línguas nativas do Brasil e faz uma defesa firme do bilinguismo como estratégia política de sobrevivência: “É preciso ser bilíngue para não ser devorado pelo inimigo”.

Entre vários outros assuntos, a RHBN 124 traz ainda uma reportagem sobre um grupo de pessoas liderado por um fugitivo do governo americano que acreditava na existência de um portal para o interior da Terra em Santa Catarina na década de 1950; uma matéria sobre a ameaça atual de expulsão aos estrangeiros que se manifestam politicamente – com base em uma lei da ditadura; um artigo sobre os cantos entoados pelas escravas no Brasil imperial e um texto que relembra a fundação da cidade de Belém, no Pará, há 400 anos.
 
Publicada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional – SABIN – a Revista de História da Biblioteca Nacional é vendida nas bancas de todo o país. A revista conta com o patrocínio da Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora da cultura nacional.
 
Fonte: divulgação por e-mail

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