RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Publicado pela primeira vez em 1976, O Turista Aprendiz será relançado no próximo dia 17, junto com dois outros eventos no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), apoiados pela Fundação Vale, relançam no dia 17 de dezembro, a partir das 18h, a obra O Turista Aprendiz, de Mário de Andrade. Os novos exemplares do título – um dos mais importantes livros de relatos de viagem do Brasil – poderão ser conferidos em evento realizado no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), no Rio de Janeiro. Na mesma data, o CNFCP abrirá a exposição Redes em Invenção, na Sala do Artista Popular, e fará uma sessão de recebimento do acervo doado pelo Instituto Casa da Flor sobre a obra de Gabriel Joaquim dos Santos, considerado o Gaudí brasileiro.

Escrita em forma de diário, com informalidade e humor, O Turista Aprendiz narra duas viagens de Mário de Andrade. A primeira, em companhia da aristocrata do café e mecenas dos modernistas, Olívia Guedes Penteado, sua sobrinha Margarida Guedes Penteado e Dulce do Amaral Pinto, filha de Tarsila do Amaral, pintora do célebre Abaporu. Durante três meses, a partir de maio de 1927, a comitiva seguiu do Rio de Janeiro a Iquitos, no Peru, navegando pelos rios Amazonas, Solimões e Madeira.

Na segunda viagem, em novembro de 1928, Mário de Andrade parte sozinho para o Nordeste, onde permanece até fevereiro do ano seguinte. O contato com a floresta e com o sertão, com os diversos tipos humanos e manifestações culturais, a religiosidade, os folguedos, as danças, as músicas, quase sempre impregnadas de sincretismo e superstição, causam nele grande impacto, consolidando uma visão de nacionalidade abrangente em oposição às concepções regionais até então majoritárias.

O relato das viagens etnográficas, como ficaram conhecidas, reforça valores já presentes na Semana de Arte Moderna de 1922. Tratava-se de reinventar o País a partir do seu reconhecimento e indeterminações. Não é por acaso que Macunaíma, uma das principais obras de Mário de Andrade, vem à luz em 1928, entre as duas viagens. É perceptível a influência do universo amazônico na construção do livro e de seus personagens.

A edição foi preparada pelas professoras Telê Ancona Lopez e Tatiana Longo Figueiredo, do IEB-USP. A edição dos diários textuais de O Turista Aprendiz chega acompanhada do CD-Rom dos diários de Mário de Andrade fotógrafo, formado por imagens e legendas que também narram as duas viagens, além de DVD com o documentário da autoria de Luiz Bargmann, A Casa do Mário, exibindo facetas do cotidiano do escritor, o outro lado do viajante.

Agenda cheia
No mesmo dia do relançamento, o CNFCP organiza dois eventos com entrada franca. Às 17h, a mostra Redes em Invenção chega à Sala do Artista Popular, com objetos reciclados a partir de redes de pesca, escamas e couro de pele de peixe produzidos na colônia de pescadores São Pedro Z3, às margens da Lagoa dos Patos, em Pelotas (RS). Em seguida, às 17h30, será formalizada a doação do acervo reunido pela pesquisadora Amelia Zaluar à Biblioteca Amadeu Amaral, que retrata parte da vida e da obra de Gabriel Joaquim dos Santos, que construiu a própria casa a partir de 1912, em São Pedro da Aldeia (RJ), à base de pau-a-pique e pedras. Durante mais de seis décadas – entre 1923 e 1985 – Gabriel dedicou-se a adornar sua morada com restos de materiais que eram descartados e transformou caquinho em beleza.

Mário de Andrade
Intelectual múltiplo, plural, o alcance do radar de Mário de Andrade era vasto: literatura, poesia, música, etnografia, folclore, arquitetura, artes plásticas, fotografia, crítica lit

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 15/12/2015 às 05:51hs - 75 visitas até 16/05/2016 ) 

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