BAHIA, Salvador - O Museu Tempostal lançou um convite para as pessoas que estão em isolamento social neste tempo de pandemia. Trata-se da campanha "Um museu na minha casa", uma proposta para que as pessoas criassem um museu com seus objetos pessoais que representassem sua ancestralidade e identidade.

A abertura da exposição acontece em 21/09 nas redes sociais da Diretoria de Museus (Dimus) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC): Instagram @museusdabahia, Facebook @museusdabahia e blog (dimusbahia.wordpress.com).

Para participar, as pessoas fotografaram um espaço dentro de casa com objetos que representassem um museu particular e encaminharam um texto explicativo sobre a importância das peças e com o nome do museu particular. A ideia da campanha nasceu a partir do livro "Calu: uma menina cheia de histórias" (de Cássia Vale e Luciana Palmeira) que conta a história de uma menina que cria um museu da sua cidade ressaltando a importância do sentimento de pertencimento da população para o patrimônio material e imaterial.

“Com o isolamento social acabamos ficando a maior parte do tempo dentro das nossas casas e, com isso, temos mais tempo para estarmos próximos dos nossos entes queridos ouvindo as histórias e conhecendo as habilidades particulares de cada um. Temos, ainda, mais contato com os objetos afetivos que fazem lembrar e aproximar dos familiares próximos ou distantes. Essa atividade é importante e divertida ao mesmo tempo, pois mostra que nossos objetos têm significados diferentes e que, pra se criar um museu, só precisamos das nossas memórias e da importância que damos a elas", explica a coordenadora do museu, Aiala Gonçalves.

Participações
A contadora de histórias e pedagoga Helena Vitória Nascimento dos Santos, é um das participantes. Ela mandou fotos do museu “Narrativas de Afroafetos”, um espaço da casa dela construído como ambiente para as lives e contações de histórias que realiza para transmitir no YouTube. “Neste museu exponho brinquedos afirmativos produzidos para o projeto ‘O que tem atrás da porta?’, com contação de histórias de livros de escritores negros para divulgação da produção autoral de literatura negra brasileira. O museu é composto por estes livros, por uma sombrinha, uma boneca Abayomi e a porta simbólica do projeto. Este meu museu é pensado como espaço literário e afetivo onde transmito meu axé ao meus pequenos e grandões em cada intervenção virtual”, explica.

“Museu dos Amigos” é o nome do museu de Yara Chamusca, restauradora e conservadora do IPAC que também está participando da campanha. “Ao longo da minha vida fui construindo um acervo de objetos interessantes e decorativos, recebidos pelos amigos. Um dia percebi que eram muito ricos em histórias e que não deveriam continuar escondidos. Assim tive a ideia de fazer um pequeno museu. Reservei uma parede para recebê-los, embelezando minha casa e ao mesmo tempo prestigiando meus afetos enquanto expunha minhas pequenas lembranças de arte”. A parede “museu” tem, entre outros itens: roca de fiar, bonecos e animal de celulose, coleção de miniaturas de imagens sacras, parafuso de madeira (fragmento de bancada de marcenaria - presente de um amigo marceneiro), máscara de madeira estilo africano, entre tantos outros.

O Tempostal
O acervo do Museu Tempostal é composto por postais, estampas e fotografias, em sua maioria, procedentes da coleção de Antônio Marcelino do Nascimento. As peças, datadas do final do século XIX e meados do século XX, representam imagens de valor histórico, artístico e documental, não só da Bahia e do Brasil, mas também de diversos países do mundo, sobre as mais variadas temáticas. O Museu Tempostal integra os espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado.

Fonte: SecultBA

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