SÃO PAULO, São Paulo - Realização da União Geral dos Trabalhadores – UGT, A Exposição na Paulista reuniu 30 obras de 18 artistas de gerações e escolas diversas


Foto: divulgação

Uma ação da União Geral dos Trabalhadores - UGT, através de seu presidente Ricardo Patah e o Secretário de Organização e Políticas Sindicais Francisco Pereira de Sousa Filho, o Chiquinho, a Exposição na Paulista, uma das maiores exposições ao ar livre do mundo, ocupou, de 25 de outubro a 19 de novembro, um quilômetro da ciclovia da principal via da cidade, a Avenida Paulista, entre a Rua Augusta e a Alameda Campinas.

Coordenada pela Secretaria de Organização e Políticas Sindicais da UGT e pela Maná Produções, Comunicações e Eventos, criadora da série, a ação, que originalmente acontece em maio, em homenagem ao Dia do Trabalho, foi registrada em um vídeo de Daniel Kfouri e pode então ser vista por todos os que não estiveram na Paulista.

“O objetivo da UGT é reafirmar os valores de liberdade e democracia, o foco da nossa exposição, e creio que neste momento de eleições no País, possamos tem refletido na decisão dos eleitores que passaram pela Paulista”, afirma Ricardo Patah, Presidente Nacional da UGT. E André Guimarães, da Maná Produções, completa: “A exposição Liberdade e Democracia é uma resposta contundente da Cultura a um dos momentos mais difíceis de nossa história, pelo tema tão fundamental nestes dias incertos. E também pela realização de um evento que, em meio à pandemia, por suas características de visualização em movimento, sem concentrações de pessoas, agora seja internacionalizado, através deste vídeo/passeio pela Paulista”.

Em sua sexta edição, a mostra Liberdade e Democracia levou 15 painéis duplos de 18 artistas à av. Paulista, sob a curadoria artística não linear de Fernando Costa Netto, da DOC Galeria. Adriano Costa, Alex Cerveny, Alexandre Orion, Arnaldo Antunes e Marcia Xavier (em um trabalho conjunto), Deco Farkas, Frederico Filippi, Guto Lacaz (em sua segunda participação na mostra), Lenora de Barros, Marcelo Cipis, Mauro Neri, Os Tupys (Carlos Delfino, Ciro Cozzolino e Zé Carratu), Pinky Wainer, Rico Lins, Tadeu Jungle e Walter Silveira, artistas de diferentes gerações, estilos e linguagens, apresentaram suas leituras do tema da exposição: a importância da liberdade e da democracia para a vida, para a saúde, a educação, a cidadania, a igualdade social.

“Nesta edição reunimos esse grupo de artistas para que cada um trouxesse sua leitura sobre o tema, que é sobre os nossos direitos básicos da Liberdade e Democracia, palavras até outro dia consolidadas, mas que voltaram a ser questionadas pelos que hoje estão no poder”, diz o curador, que finaliza: “São Paulo é um bastião de resistência. Nossa cidade não se cala.”

As cinco edições anteriores da grande Exposição de Maio na Paulista apresentaram os temas 30 Anos de Redemocratização do Brasil (2015); 100 Anos do Samba (2016); 17 Objetivos para Transformar o Mundo (2017); A Quarta Revolução Industrial (2018) e DIREITO DO AVESSO | AVESSO DO DIREITO (2019).

Embora a transferência da Exposição na Paulista para outubro/novembro não tenha sido uma opção, acabou ajustando-se perfeitamente ao tema desta sexta edição, Liberdade e Democracia, estando em cartaz durante o primeiro turno das eleições municipais e chamado a atenção da população sobre esse momento conturbado no Brasil, acentuado pela pandemia e pelas disputas políticas.

“Não importa o governo de plantão. A construção de uma democracia é um trabalho árduo e demorado. Tarefa que nós brasileiros soubemos muito bem construir ao longo de todos esses anos. Antes de ser de esquerda ou de direita, temos que ser democratas e lutar pela liberdade”, reitera o Secretário de Organização e Políticas Sindicais Francisco Pereira de Sousa Filho, o Chiquinho.

A Exposição na Paulista – Liberdade e Democracia tem o apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo, Magazine Luiza, Lojas Marabrás, Casas Bahia e O Dia. O projeto é uma realização Maná Produções Culturais, DOC Galeria e Mensagem da Paz.

https://vimeo.com/480426032

Ficha Técnica
Realização: UGT – União Geral dos Trabalhadores
Presidente: Ricardo Patah
Secretário de Organização e Políticas Sindicais: Francisco Pereira de Sousa
Criação, planejamento e produção: André Guimarães - Maná Produções, Comunicação e Eventos
Curadoria: Fernando Costa Netto - DOC Galeria

Sobre as obras
O artista plástico e videomaker Frederico Filippi, cuja produção é voltada para temáticas relativas às fricções nas relações invisíveis dos processos ditos civilizatórios, conta que traz, em seus painéis, “imagens que tratam do sequestro dos emblemas da bandeira nacional pelo discurso e valores da extrema direita, utilizando-se de padrões repetitivos que reproduzem o hipnotismo e o transe do discurso do populismo violento aplicado em símbolos de comunicação massiva”.

Já Guto Lacaz, artista que transita por diversas linguagens, conta que usou “os sinais :) e :( com cinco fontes diferentes para mostrar diversidade e opiniões diferentes, contra e a favor, no painel Democracia”. Para representar a Liberdade, Lacaz usa imagem de um boneco voando em três posições diferentes.

Na obra de Marcelo Cipis, “a imagem que representa um homem com um número multiplicado de olhos, bocas e narizes mostra um ser humano aberto a receber e a discutir democraticamente uma variedade de pontos de vista”, conta Cipis, que continua: “A imagem da mulher com a cabeça ‘aberta’, também mostra um ser humano aberto a receber e a discutir livremente a diversidade de opiniões à respeito das coisas da vida.

“Pinto, bordo e organizo letrinhas desde o século passado”. É assim que se define Pinky Wainer, que apresenta duas mulheres se afogando na falta de democracia e independência, afinal, como diz a artista, “não vivemos só de oxigênio”.

“É impossível falar de liberdade e democracia no Brasil sem o protagonismo negro”, afirma Rico Lins, artista gráfico, curador e educador, de uma geração contestatória, que expõe a marca de seu trabalho: design brasileiro com vitalidade, pluralismo e respeito às diferenças.

Tadeu Jungle traz dois poemas, similares na sua leitura circular, ou seja, melhor compreendidos quando são lidos várias vezes seguidas. “Por isso o sinal de (repita) na parte inferior. Ambos têm o caráter de chamar para a reflexão quanto à inércia de todos nós e talvez catalisar uma postura de mudança por parte do leitor. O segundo é explicitamente político pelas suas cores e formas, que lembram a bandeira brasileira”, reitera o designer de mídia.

Artista intermídia, Walter Silveira apresenta Nexus, “um trabalho que foi publicado no meu álbum Mein Kalli Graphycs Walt B.blackberry, em 1996, depois fiz, em 2013, um objeto em ferro. Nesse trabalho, o desenho caligráfico das letras unidas, cria uma imagem/máscara de união onde o signo verbal é camuflado”, conta. “Tentativa é um graffiti poema de 1979 onde as letras tatuam na superfície os ataques e a luta travada em escrever o próprio poema”, finaliza.

O músico, poeta e artista visual Arnaldo Antunes e Marcia Xavier, cuja obra se baseia nos elementos luz, objetos ópticos e movimentação do espectador, apresentam um painel conjunto, com uma poesia visual e uma imagem, onde o corpo e sua sombra criam uma topografia.

Deco Farkas, artista que muitas vezes mistura linguagens “com a intenção de produzir algo puramente refrescante e ironicamente ignorante” e se aproximou da arte de rua com o pseudônimo TRECO, mostra “uma imagem técnica das partes que compõe uma urna. Bobinas, contatos, botões, veias, artérias e ventrículos”, em suas palavras.

Os Tupys, primeiro coletivo de arte urbana surgido nos anos 1980, no rastro da abertura democrática do país, ressurge hoje com o trio de artistas Carlos Delfino, Ciro Cozzolino e Zé Carratu, e encontram na Exposição na Paulista o ambiente ideal, “mantendo a ideia inicial de utilizar a cidade como suporte para as intervenções artísticas, ocupando muros e laterais dos edifícios com criações feita a seis mãos, numa combinação de autorias, sempre carregadas de humor, ironia e crítica social”, contam em uníssono.

O artista de rua Alexandre Orion não pretende protagonizar a discussão, reconhece o absurdo da censura, do abuso e dos exercícios de controle sobre os corpos e narrativas do feminino e das minorias, espera que essas imagens, duas fotografias de Janaína Franco, contribuam para a conquista de um futuro igualitário apresenta. “Uma das imagens, um mamilo, frequentemente censurado, serve como uma provocação ao conservadorismo e representa apenas uma das inúmeras repressões ao corpo feminino. A outra, um retrato mostra seu rosto coberto por uma estrela, ícone frequentemente utilizado para censurar mamilos. A estrela faz alusão à bandeira nacional, mas reflete também a surdez política seletiva às vozes femininas. Tratam-se de duas imagens que refletem a falta de igualdade, de justiça e a consequente ausência de democracia”, declara Orion.

As primeiras obras criadas por Lenora de Barros podem ser colocadas no campo da “poesia visual” a partir do movimento da poesia concreta da década de 1950. Palavras e imagens foram os seus materiais iniciais e posteriormente sua produção passa a utilizar diversos suportes, como vídeo, performance, fotografia, instalação sonora e construção de objetos. Xô Dor, um jogo de palavras, a partir da marca de inseticida Rodox, “é um produto imaginário, em spray, concebido para simbolicamente afastar a DOR provocada pelas situações que estamos vivendo no Brasil já há muitos anos”. Criada após a chacina da Candelária, em 1993 e publicada em forma de foto-performance, na ocasião, na coluna semanal da artista, “...umas”, no Jornal da Tarde, passou por diversos espaços de arte em diferentes formatos. A nova versão de Xô Dor – “agora também um produto #antifascista, e com potência para eliminar antigas e novas pragas, com sua exclusiva fórmula que contém ingredientes ativos micro encapsulados que proporcionam uma liberação gradual e um efeito residual de longuíssima duração”, nas palavras da artista – agora chega à Avenida Paulista em linguagem de cartoon, inédita, com projeto gráfico de Pedro Lunardi e rebatizada como Xô Dor #antifascista.

O paulistano Adriano Costa, que tem sua obra exposta em museus e galerias pelo mundo – Instituto Tomie Ohtake (SP), Guggenheim (NY/EUA), Tate (Londres/Inglaterra), MASP (SP) , MAC LYON (Lyon/França) , Mendes Wood DM (SP, NY e Bruxelas), Galeria Nuno Centeno (Porto/Portugal), Supportico Lopez (Berlim/Alemanha), entre outros –, trará para a Exposição da Paulista a obra Regra Míope, criada a partir de imagens construídas basicamente em celular, que aumentadas apresentam borrões. “É sobre esse tempo, 2020, sobre a minha cidade, São Paulo, e sobre meu país. Num tempo onde qualquer regra de bom senso vale muito pouco ou nada. Vemos o Nada ou vemos nada. No degradante e miserável sentido do nada. O vazio desconfortável onde o que se pode é basicamente sobreviver, não enlouquecer. Que nossos olhos estejam abertos. A moral tá baixa”, diz o artista.

O ativista Mauro Neri, também conhecido como Veracidade, age a partir das margens da cidade, produz na paisagem imagens de gente, de casas e escritas como conjugações com a palavra “ver” em percursos de acessos para além das fronteiras. “A pandemia explicitou ainda mais quais são nossas urgências e com isso nossa prioridade, as vidas que importam e as vidas que na história do país parecem importar menos”, diz sobre a obra que leva à Paulista. “A repetição do abuso de poder e de privilégios, contrasta com o direito a ter direitos e quando acreditamos ter alcançado o direito, a democracia se mostra ameaçada ,e quando existe, aparece como um privilégio, assim como a justiça que parece haver pra quem a pode acessar e fazer”, diz Mauro Neri, preto miscigenado com origem no Grajaú na periferia sul de São Paulo, que brinca e desenha desde a infância e adulto se descobre educador, muralista, artista plástico, grafiteiro e pichador. “A educação, comunicação e arte ainda é nossa possibilidade de ser e de fazer justiça e democracia. viva e deixe viver, fazer e ver”, finaliza.

Alex Cerveny afirma que “é uma delícia participar desta exposição, porque é uma exposição que eu já algumas vezes como público, passeando pela Paulista. Ela tem um impacto enorme e é a Avenida Paulista, que é uma coisa tão simbólica”. “O tema é liberdade e democracia, sempre atual, não tem como. É bonito ver o trabalho ampliado, ele vai ter uma dimensão enorme, muito maior do que os trabalhos que estou acostumado a fazer”, continua. Cerveny apresenta duas aquarelas que foram feitas no tamanho de um papel A4, “com lupa, com muitos detalhes, cores, uma coisa da fatura dela bastante rebuscada pensando que ela vai ser ampliada”. Para um dos painéis preparou o que considera a liberdade. “É um perfil, que pode ser um perfil genérico, de uma figura com os relevos, nariz, queixo e dentro desta figura uma espécie de uma árvore entrelaçada que remete um pouca a imagem daquela ‘árvore do saber’ bíblico. Foi a imagem que me veio que a gente tem que manter esta planta viva, são duas plantas que se apoiam uma na outra, eu acho que está aí a junção das duas coisas”. A outra aquarela “é uma coisa mais específica de democracia, mostra de uma forma bem clara e evidente a força do conjunto das pessoas. De novo é uma silhueta, eu parti de coisas bem simples, de um lado a silhueta do rosto de um corpo humano e do outro o perfil da minha própria mão. Essa mão foi sendo recheada de vários rostos, diferentes, diversos, para mostrar isso, esta diversidade no conjunto, mas criando uma unidade para conseguir coisas em comum”, completa o artista.

Fonte: divulgação por e-mail

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31