BAHIA, Salvador - Em tempos de pandemia e distanciamento social, quando os contatos digitais se tornaram instrumento imperativo nas relações humanas, o pintor Anderson Santos, 48 anos, natural de Salvador, disponibilizou no espaço virtual o e-book Floresta Negra

 A peça, além de conter parte do texto de conclusão do seu mestrado de título homônimo, sob orientação do artista visual e professor Danillo Barata, entre outros escritos, reproduz digitalmente 90 de suas principais obras realizadas ao longo de 25 anos, carreira marcada por uma produção pictórica capaz de misturar linguagens diversas para a sua composição, como a fotografia e o vídeo.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal. O e-book, que tem curadoria de Danillo Barata, surge como uma solução importante em um período no qual os artistas se vêem obrigados a repensar a feitura de suas obras e, por tabela, buscam meios para escoá-las, restando-lhes, diante das limitações impostas pela pandemia, as imensas possibilidades do mundo virtual.

Segundo Anderson Santos, a chave do projeto é a interatividade. Graças a ela, os leitores digitais poderão dentro do corpo do livro assistir vídeos, escolher a cor de fundo da página e a própria fonte, aumentar a imagem das pinturas com um simples tocar de dedos na tela e, também, comandar a ordem da leitura. Tudo favorecido pelo uso ostensivo de smartphones, instrumento que proporciona a convergência e a interligação das linguagens analógicas para o meio digital.

O livro é fruto da parceria de Anderson com o selo editorial italiano Eosliber, responsável pela edição de livros artísticos e institucionais, além da revista online de arte Magazzino (magazzino.ripensarte.it/), que há muito pesquisa ferramentas híbridas que possam ser utilizadas no mundo editorial, capazes de trabalhar em diferentes dimensões, estáticas e dinâmicas.

No ano passado, Anderson Santos, que vive entre Salvador e Milão, realizou a exposição também intitulada Floresta Negra, na Paulo Darzé Galeria, na capital baiana. Chamou a atenção a fluidez com que o pintor figurativo transita entre as linguagens, apropriando-se das novas tecnologias para compor e apresentar suas pinturas.

Como diz Danillo Barata, não por acaso curador da exposição Floresta Negra, se no início da sua carreira, Anderson Santos tentava neutralizar a narração e a figuração propostas nas suas pinturas, mais recentemente o artista passou a valorizar as micronarrativas que invadem o seu cotidiano, traçando novas visões de futuro, as quais podem ser entendidas como “afrofuturismos”, e estas visões, escolhas e caminhos se tornam evidentes no formato escolhido pelo autor: o e-book.

Arrebatado pela obra do irlandês Fancis Bacon, segundo a galerista Thais Darzé, a intenção de Anderson Santos “não é reproduzir a imagem tridimensional em uma superfície bidimensional”. Segundo ela, a ideia central da sua obra é criar personagens e figuras sublimes capazes de despertar sensações, sentimentos, impressões e percepções naqueles que se colocam diante dela: “o resultado final são traços, cores, texturas, deformações que carregam toda a carga emocional dos seus personagens e de si próprio, afinal sua autoimagem é uma recorrente em suas pinturas”.

No e-book, o artista soteropolitano oferece ao internauta a possibilidade de aprofundamento de cada uma das obras digitalizadas, fornecendo detalhes como título, data, descrição, dimensões e técnicas empregadas. Paralelamente, aprofunda-se em discussões teóricas acerca de sua produção e das artes plásticas, manifestadas em trechos da dissertação do seu mestrado, sem falar dos textos assinados por Nanci Novais, diretora da Escola de Belas Artes da Ufba, Claudius Portugal, poeta e escritor, e Thais Darzé, curadora e marchand.

O livro será disponibilizado para download gratuito nas lojas digitais e no site andersonsantos.ripensarte.com no dia 15 de abril.

Fonte: SecultBA

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