MINAS GERAIS, Belo Horizonte - A Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), instituição vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), está atuando, no âmbito do Plano Descentra Cultura, na restauração de duas importantes obras do acervo de São Bartolomeu, distrito do município de Ouro Preto, pertencentes à Igreja Matriz de São Bartolomeu


Imagem de Nossa Senhora do Carmo, em restaruração / Ludmila Ribeiro

Uma delas é a imagem de Nossa Senhora do Rosário, escultura em madeira dourada e policromada, de 55 cm, e datada provavelmente do século XVIII. A outra obra é a imagem de Nossa Senhora do Carmo, de 76 cm, entalhada e policromada.

O principal objetivo dos processos é a restituição da integridade física das obras, interrompendo as ações de degradação, além de propiciar a valorização da estética original das esculturas. Estima-se um prazo de 16 meses para a finalização do trabalho.

Assim como faz em outros municípios da região e do estado de Minas Gerais, a Fundação trabalha em conjunto com a comunidade pela preservação da memória, do patrimônio, da história e da cultura do local.

Por essa razão, a Faop comemorou a notícia de que o distrito de São Bartolomeu é um dos três destinos brasileiros selecionados pelo Ministério do Turismo para representar o país concurso “Melhores vilas turísticas do mundo”, promovido pela Organização Mundial do Turismo (OMT), entidade ligada à ONU. “São Bartolomeu nos presenteia com um vasto patrimônio histórico, natural e cultural. É uma alegria saber que as belezas e a hospitalidade desse povo estão sendo reconhecidas mundialmente. A Faop se orgulha muito em poder contribuir para a preservação e restauração da história do vilarejo”, destaca o presidente da Faop, Jefferson Fonseca.

O trabalho de restauração de esculturas em São Bartolomeu
Ao longo dos anos, por meio das ações do Núcleo de Conservação e Restauração e do Curso Técnico em Conservação e Restauro, muitas obras do distrito de São Bartolomeu tiveram sua história marcada pela passagem na Faop.

Em 2012, um grande acervo de obras do distrito, que ocupa as igrejas e capelinhas do local, foi recebido pelo Núcleo de Conservação e Restauração. As esculturas de São João Nepomuceno, Cristo Crucificado, Nossa Senhora do Pilar, e Sant’Anna (sem a menina) foram restaurados por alunos do Curso Técnico em Conservação e Restauro, orientados pelos respectivos professores responsáveis.

Já as obras de Santa Efigênia, São Benedito e o Divino foram restauradas pela equipe técnica, e Nossa Senhora das Candeias, pela equipe técnica em conjunto dos professores do curso, pelo nível de complexidade do processo de restauro. A maioria das obras voltou para a comunidade em 2017, e Nossa Senhora das Candeias retornou em 2019.

Devoção aos santos faz parte da cultura de São Bartolomeu
O retorno das obras centenárias restauradas para o distrito foi motivo de celebração para a comunidade. Isso porque São Bartolomeu carrega, desde sua origem, uma forte relação com a devoção de alguns desses santos, o que eleva a importância das obras, não apenas como símbolos da fé, mas, principalmente, como referências históricas e também de representações culturais da comunidade.

Das esculturas restauradas pela Faop, uma das mais aguardadas pelos moradores foi a do Divino. “De todas as peças que estavam aqui, a mais solicitada era a do Divino, eles perguntavam quando ela ia voltar, quando ia ficar pronta. Ela estava, realmente, bem deteriorada quando chegou pra gente e, pelo tempo que precisamos para realizar os processos, os moradores fizeram uma réplica para não ficarem sem a imagem”, conta Elisa Diniz, uma das técnicas em restauração e conservação da Faop que atuou no trabalho com o acervo.

A procura e preocupação da comunidade com a obra pode ser justificada pela importância que a representação do Divino Espírito Santo representa. A principal celebração do distrito, registrada como patrimônio imaterial de Ouro Preto, desde 2014, é a Festa de São Bartolomeu e do Divino Espírito Santo. A comemoração é realizada em agosto, mas, 80 dias antes das celebrações, a Bandeira do Divino começa a passar de casa em casa, de família em família, para arrecadação de fundos para a festa, prática provavelmente herdada dos portugueses.

Não é possível afirmar uma data de origem das festas em homenagem ao Divino em São Bartolomeu, devido à escassez de documentos, mas há registros de realização da Festa do Divino em Ouro Preto no século XVIII, como, por exemplo, lista de receitas e despesas para a celebração do Divino Espírito Santo e Santa Cruz em 1771, segundo pesquisas do Mestrado em Museologia e Patrimônio da Unirio. Já de acordo com estudos da equipe da Faop, a escultura em madeira policromada do Divino, também é datada, provavelmente, do século XVIII.

Fonte: Secult MG

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