BAHIA, Salvador - Com o objetivo de promover a arte indígena e apoiar o movimento cultural desses povos no interior da Bahia, onde vem sendo realizado um processo de retomada territorial e cultural, acontece a exposição virtual Gravuras e Bravuras Payayá

 A mostra reúne desenhos do Cacique Juvenal Payayá. O material será publicado e comentado, até 12 de fevereiro no Instagram @territorio_payaya.

Também compõe a exposição um encontro virtual com artistas e público, nesta sexta-feira (21), às 19h, no canal da TV UNEB Seabra e no Canal TV Pataxó, no YouTube. A Roda de Conversa online da Exposição Gravuras e Bravuras Payayá convida artistas indígenas e não indígenas, na inauguração da exposição. Nessa roda pretende-se debater a importância do evento Teia dos Povos para retomada indígena, a importância da arte na cultura indígena e o processo criativo do autor, o Cacique Juvenal Teodoro Payayá.

Parte desse material registra as expectativas e ações realizadas na preparação dos encontros Jornada de Agroecologia da Bahia e Teia dos Povos no Território Payayá (2019) e Pré-Jornada nos territórios Bocaina e Mocó (Piatã - 2021). Totalmente inéditas ao público em geral, essas gravuras são reconhecidas como uma importante ferramenta de mobilização social através da arte.

A curadoria e a arte gráfica são de Márcio Carvalho, idealizador de várias capas dos livros de Juvenal. A produção é do Coletivo Ela Audiovisual Chapada Diamantina, com produção executiva de Joana Horta, produção de conteúdo de Edilene Payayá, assessoria de imprensa de Erica Araujo e Gestão de Mídias de Maiara Luane.

O povo Payayá, do qual o artista Cacique Juvenal Teodoro Payayá descende, tem alcançado o reconhecimento de suas raízes territoriais no que hoje se compreende como Território de Identidade da Chapada Diamantina. Esse movimento surge na contramão da expansão da exploração ambiental do território. Dessa forma, tanto a arte do Cacique Payayá, quanto o contexto em que ela está sendo produzida, refletem o campo de disputa cultural, a luta e a leitura de mundo de uma representação do povo Payayá na segunda década do século XXI.

Estarão presentes na Roda de Conversa, Mestre Joelson Ferreira, natural de Itamaraju (BA), liderança popular, e articulador da Teia dos Povos, Ademário Payayá, indígena Payayá, doutorando e Mestre em Ciências da Educação, Julie Dorrico indígena Macuxi, Doutora em Teoria da Literatura na PUCRS, Emílio Tapioca é poeta e liderança cultural na Chapada Diamantina com formação acadêmica em Licenciatura em História, e Dinorah Poletto, bióloga, terapeuta, escritora, mãe e avó. Acompanha o trabalho de Juvenal há 40 anos.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Prêmio Cultura na Palma da Mão/PABB) Via Lei Aldir Blanc, redirecionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Juvenal Payayá
Tem 77 anos e nasceu em um pequeno povoado, na Chapada Diamantina. Filho de Cosme Teodoro da Silva e Ana Gonzaga da Silva, viveu sua primeira infância descalço, pelas serras, banhando no rio ou na roça ajudando os pais. Aos 15 anos conheceu São Paulo, onde passou a entregar contas de água nas milhares ruas da megalópole. No curso de Madureza Santa Ignez, aos 19 anos, aprendeu além das disciplinas curriculares os primeiros passos da política estudantil, ingressando na luta contra a ditadura militar de 1964. Sempre irrequieto, nos anos 70 foi aprovado no vestibular da USP, mas não conclui o curso de História. Retornou à Bahia e cursou Economia na UEFS, onde ajudou a fundar o Diretório Acadêmico de Economia Honestino Guimarães, tornando-se seu primeiro presidente. Em 2010 ajudou a fundar o grande movimento indígena MUPOIBA-Movimento dos Povos e Organizações Indígena da Bahia participando da primeira coordenação como diretor financeiro. Foi membro do Conselho Estadual de Educação da Bahia – CEE-BA e do Conselho Estadual dos Direitos dos Povos Indígenas do Estado da Bahia – COPIBA. Em 2019 liderou o povo Payayá na retomada do território originário na cabeceira do Rio Utinga e realizou, junto com seus parentes de perto e de longe o maior encontro indígena do interior da Bahia, a Teia dos Povos 2019.

Prêmio Cultura na Palma da Mão
A convocatória foi elaborada para a execução dos recursos remanescentes da Lei Aldir Blanc, redirecionados pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. É voltado para iniciativas culturais das categorias Difusão Artística; Culturas Periféricas; Culturas Rurais; Memória e Tradições; Cultura LGBTQIA+, que devem utilizar as redes sociais ou plataformas de streaming para realização das propostas.

Serviço
O quê: Exposição virtual Gravuras e Bravuras Payayá

Quando: De 19/01/2022 a 12/02/2022
Onde: Instagram @territorio_payaya

O quê: Roda de Conversa online da Exposição Gravuras e Bravuras Payayá
Quando: Sexta-feira (21), às 19h
Onde: TV UNEB Seabra e no Canal TV Pataxó, no YouTube

Fonte: SecultBA

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